Ricardo Stuckert

A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (12), mostra que a avaliação do governo Lula (PT) deixou de registrar melhora e voltou a apresentar alta na desaprovação. De acordo com o levantamento, 50% dos brasileiros desaprovam o governo, enquanto 47% aprovam. Uma inversão da tendência observada nos últimos meses. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Desde julho, a aprovação vinha oscilando positivamente, enquanto a desaprovação caía. Agora, o movimento se inverteu. Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o cenário reflete o impacto da megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, e das declarações de Lula sobre o tema. “A pauta da segurança pública interrompeu a lua de mel tardia do governo com o eleitorado independente”, avaliou.

Entre os eleitores independentes, a desaprovação subiu de 48% em outubro para 52% em novembro, enquanto a aprovação caiu de 46% para 43%, segundo o instituto. O índice não era tão desfavorável a Lula nesse grupo desde agosto.

Os dados mostram ainda queda de aprovação entre mulheres e católicos, grupos tradicionalmente favoráveis ao presidente. Entre as mulheres, há empate técnico (51% aprovam, 46% desaprovam), revertendo a vantagem anterior. O mesmo ocorre entre os católicos (50% a 47%).

A renda também se destaca como fator determinante: entre quem ganha acima de cinco salários mínimos, 56% desaprovam e 42% aprovam o governo. No grupo com renda entre dois e cinco salários mínimos, a desaprovação chega a 53%.

A Quaest também registrou aumento na preocupação com a violência, que passou de 30% para 38%, e identificou que 67% dos entrevistados apoiam a operação no Rio, enquanto 57% discordam da avaliação de Lula de que a ação foi “desastrosa”.

Apesar das oscilações, os números seguem dentro da margem de erro. Segundo a Quaest, a pesquisa ouviu 2.004 pessoas, entre os dias 6 e 9 de novembro, e tem nível de confiança de 95%. O resultado confirma o que analistas chamam de um momento de “estagnação” na popularidade presidencial após meses de recuperação gradual.

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