
Resultados recentes de pesquisas de intenção de voto e de avaliação do governo acenderam um sinal de alerta no Palácio do Planalto. Levantamentos divulgados nos últimos dias indicam desgaste na percepção popular sobre a economia e mostram um cenário eleitoral mais competitivo do que o esperado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Uma das principais preocupações entre aliados do governo é o empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Pesquisa do instituto Meio/Ideia aponta o petista com 47% das intenções de voto, contra 45% do parlamentar do PL.
Outro levantamento, da Genial/Quaest, revelou deterioração na percepção sobre a economia. Segundo o estudo, 68% dos entrevistados afirmaram que a situação econômica do país está pior do que há 12 meses. O índice representa aumento de dez pontos percentuais em relação a dezembro, quando esse número era de 58%.
A sondagem também trouxe dados preocupantes para o governo em relação aos programas sociais e medidas econômicas. Cerca de 66% dos entrevistados disseram não ter percebido benefícios na proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais — uma das principais bandeiras da gestão para ampliar renda disponível da classe média.
Outra pesquisa, divulgada pelo Datafolha, apontou que Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados numericamente entre trabalhadores assalariados, com 43% das intenções de voto cada. O resultado chama atenção por se tratar de um segmento historicamente mais favorável ao Partido dos Trabalhadores desde os primeiros mandatos do presidente, entre 2003 e 2010.
No Planalto, a avaliação reservada é de que o governo esperava colher resultados políticos mais favoráveis após um 2025 considerado positivo na economia, marcado por queda da inflação e redução do desemprego. A expectativa era de que esses indicadores ajudassem a consolidar a imagem do terceiro mandato de Lula e fortalecessem um eventual projeto de reeleição.
Diante do cenário, aliados do presidente discutem ajustes na estratégia de comunicação do governo. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, foi encarregado de reformular a estratégia, ampliando a presença nas redes sociais e priorizando mensagens de linguagem mais direta ao público.
Internamente, também há preocupação com o impacto de crises políticas recentes, como o escândalo envolvendo o Banco Master e a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para prestar esclarecimentos na CPI do INSS. Mesmo que investigações atinjam figuras de diferentes espectros políticos, aliados avaliam que o episódio pode afetar a percepção pública sobre o governo.
Com o cenário ainda em formação, governistas avaliam que será necessário recuperar margem de aprovação para enfrentar uma disputa eleitoral que tende a ser mais polarizada.