Luiz Silveira/STF

A Polícia Federal (PF), durante a Operação Compliance Zero, descobriu no celular do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

O documento, datado para pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos a partir de 2024, previa uma atuação jurídica ampla e não especificava processos, determinando que o escritório representaria o banco “onde fosse necessário”. Embora o Master tenha sido liquidado, a maior quebra da história em impacto para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com 1,6 milhão de investidores afetados, mensagens internas indicavam que o pagamento era tratado como prioridade.

A descoberta ressalta a proximidade do Master com a cúpula do Judiciário. O inquérito sobre a fraude de R$ 12,2 bilhões, que levou à prisão preventiva de Vorcaro (posteriormente solto com tornozeleira eletrônica), também envolveu o ministro Dias Toffoli. O relator do caso viajou em um voo particular com o advogado de um dos diretores do Master, Augusto Arruda Botelho. Coincidentemente, dias depois, Toffoli transferiu o inquérito para o STF, sob sua relatoria e sigilo, citando o envolvimento de uma autoridade com foro privilegiado.

As conexões do Master não se limitam ao Judiciário. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, foi um dos maiores doadores pessoas físicas do país em 2022, transferindo R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões para a de Tarcísio de Freitas, revelando a teia de relações políticas e financeiras que orbitava o banco liquidado.

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