
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um sofisticado esquema de fraudes financeiras no Banco Master. Entre os alvos principais estão o controlador da instituição, Daniel Bueno Vorcaro, e o investidor Nelson Tanure, figura proeminente do mercado de capitais brasileiro. A operação, autorizada pelo ministro do STF Dias Toffoli, resultou no bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens e valores.
Os agentes federais realizaram buscas em endereços de luxo na Avenida Faria Lima, em São Paulo, e em outros quatro estados. Além de Vorcaro, parentes próximos do empresário — incluindo seu pai, irmã e cunhado — foram alvos de mandados. Nelson Tanure foi abordado pela PF no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, onde teve seu celular apreendido. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, chegou a ser detido momentaneamente quando tentava embarcar para Dubai.
Desvios e retornos irreais
A investigação aponta que o Banco Master captava recursos através da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de rendimentos de até 40% acima da taxa de mercado — valores considerados “irreais” pelas autoridades. O montante era então aplicado em fundos e, supostamente, desviado para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus familiares. Segundo a PF, o prejuízo estimado pode chegar a R$ 12 bilhões, o que levou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a classificar o caso como a “maior fraude bancária” da história do Brasil.
Disputa institucional e sigilo
O caso Master transcende a esfera policial e se tornou o centro de uma queda de braço institucional. Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição após suspeitas de fraudes na venda de carteiras de crédito de R$ 12,2 bilhões para o Banco de Brasília (BRB). No entanto, a decisão do BC foi questionada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que investiga se houve “precipitação” no encerramento das atividades do banco.
Atualmente, o processo tramita sob sigilo absoluto no Supremo Tribunal Federal. Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário tem colaborado continuamente com as autoridades e possui total interesse no esclarecimento célere dos fatos. Já a defesa de Nelson Tanure não foi localizada, embora o investidor negue irregularidades em processos correlatos.