Warner e Paramount
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A Paramount Skydance apresentou uma oferta de US$ 108 bilhões para comprar a Warner Bros. Discovery e trouxe para a operação três grandes fundos soberanos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar. A informação, divulgada pela Reuters nesta terça-feira (9), amplia o alcance da disputa e mostra que o interesse desses países vai muito além de Hollywood e envolve estratégias econômicas e geopolíticas de longo prazo.

A oferta ocorre num momento de forte pressão sobre os grandes estúdios, que enfrentam queda de receita na TV tradicional, concorrência intensa no streaming e altos níveis de endividamento.

Para viabilizar financeiramente a negociação, a Paramount obteve apoio do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, da L’imad Holding Company de Abu Dhabi e da Autoridade de Investimento do Catar. Os fundos aportarão recursos sem receber poder de voto ou assentos no conselho, o que permite que a operação avance sem avaliação do Comitê de Investimento Estrangeiro dos Estados Unidos.

Mas por que países do Golfo entraram na disputa pela Warner?

Arábia Saudita, Emirados e Catar vêm diversificando suas economias para reduzir a dependência do petróleo. Um dos caminhos escolhidos tem sido o investimento em entretenimento. Nos últimos anos, esses países passaram a financiar produções filmadas na região, expandiram parques temáticos, compraram participações em empresas de mídia e ampliaram investimentos em videogames e plataformas digitais.

A participação na oferta pela Warner é vista como parte desse movimento, permitindo acesso a um dos maiores catálogos de conteúdo do mundo e a propriedades intelectuais que têm alcance global.

O que isso significa para Hollywood

A compra, se ocorrer, pode ser uma das maiores reorganizações já vistas na indústria. A Warner possui franquias e conteúdos que sustentam receitas em cinema, TV, streaming, produtos licenciados e jogos.

Para a Paramount, a integração dos catálogos pode ampliar escala, fortalecer o streaming e melhorar competitividade. Para os países do Golfo, o envolvimento em uma operação desse tamanho amplia a presença em um setor que influencia cultura, tecnologia e economia global.

Pano de fundo político

Os investimentos no setor de entretenimento avançam paralelamente a uma aproximação financeira desses países com os Estados Unidos. Segundo dados citados pela Reuters, os anúncios de investimento feitos por Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar nos EUA somam mais de US$ 3 trilhões em 2025.

A participação na oferta da Paramount se insere nesse contexto de articulação econômica e diplomática, reforçando laços com grandes empresas americanas e ampliando o alcance internacional desses fundos soberanos.

O que acontece a partir de agora

A Warner ainda não se manifestou sobre a proposta. A Paramount afirma que continuará buscando apoio de investidores e interlocução com autoridades. Analistas apontam que o envolvimento dos fundos do Golfo fortalece financeiramente a operação, mas não elimina possíveis resistências do mercado ou de órgãos reguladores.

O desfecho pode redefinir o futuro da indústria e consolidar a presença dos países do Golfo como financiadores relevantes no setor de entretenimento.

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