
A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026. O levantamento aponta 43% das intenções de voto para Lula contra 38% para o parlamentar.
Com margem de erro de dois pontos percentuais, a diferença de cinco pontos mantém o presidente numericamente à frente e fora do empate técnico. Ainda assim, o dado representa redução em relação a rodadas anteriores do instituto e sinaliza um cenário mais competitivo do que o observado no fim de 2025.
A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 9 de fevereiro, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país, segundo dados divulgados pelo instituto e repercutidos pela imprensa nacional.
Lula e consolidação dos polos políticos
O levantamento confirma que a disputa de 2026 segue estruturada em torno dos dois campos que dominam o cenário político desde 2018: lulismo e bolsonarismo. Lula lidera todos os cenários de primeiro turno testados, enquanto Flávio Bolsonaro aparece como o nome mais competitivo do campo da direita.
A performance do senador sugere consolidação do eleitorado identificado com o bolsonarismo em torno de uma candidatura diretamente associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros nomes testados no campo da oposição apresentam desempenho inferior nas simulações divulgadas.
O quadro reforça a tendência de manutenção da polarização, com pouca evidência, até o momento, de um terceiro polo com força suficiente para romper a lógica binária observada nas últimas duas eleições presidenciais.
Rejeição a bolsonarismo e limite de crescimento
Um dos dados centrais do levantamento é o índice de rejeição. Segundo a repercussão da pesquisa, Flávio Bolsonaro registra rejeição de 55%, enquanto Lula aparece com 54%.
Em disputas de segundo turno, a rejeição funciona como indicador de limite eleitoral. Percentuais acima de 50% indicam que mais da metade do eleitorado declara não votar naquele candidato em hipótese alguma, o que reduz a margem de expansão além do núcleo de apoiadores.
Esse fenômeno já foi observado em 2022, quando a elevada rejeição ao então presidente Jair Bolsonaro limitou sua capacidade de ampliar apoio no segundo turno. No cenário atual, os dados sugerem que ambos os candidatos enfrentam resistência significativa, mas que Lula mantém ligeira vantagem na conversão de intenção de voto.
Distribuição regional e segmentos eleitorais
Embora a íntegra detalhada por segmento não tenha sido divulgada integralmente, levantamentos anteriores da própria Quaest indicam padrão consistente: Lula apresenta desempenho mais robusto no Nordeste e entre eleitores de menor renda, enquanto o bolsonarismo mantém força no Sul e no Centro-Oeste.
No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, a disputa tende a ser mais equilibrada, o que coloca a região como peça central para definição do segundo turno.
A permanência desse padrão territorial indica continuidade da clivagem regional observada em 2018 e 2022, reforçando que a disputa tende a ser decidida por margens estreitas.
Redução da diferença e implicações políticas
A redução da vantagem de Lula em relação a Flávio Bolsonaro não representa inversão de tendência, mas altera o ambiente estratégico. Para o governo, indica necessidade de manter desempenho consistente em áreas sensíveis ao eleitorado, como inflação, emprego e renda.
Para a oposição, os números mostram que há competitividade, mas também revelam o desafio central de reduzir rejeição e ampliar aceitação fora do eleitorado já identificado com o bolsonarismo.
Em cenários altamente polarizados, o voto por rejeição — escolha motivada pela intenção de impedir a vitória do adversário — tende a ganhar peso. A diferença atual de cinco pontos sugere disputa aberta, mas com vantagem consolidada para o presidente.
O cenário ainda em formação
A oito meses da eleição, os dados funcionam como termômetro, não como definição de resultado. A formalização das candidaturas, a consolidação das alianças partidárias e o desempenho do governo ao longo do primeiro semestre podem alterar o comportamento do eleitorado.
A pesquisa indica manutenção da liderança de Lula e consolidação de Flávio Bolsonaro como principal nome da direita, mas aponta também que a eleição de 2026 tende a repetir o padrão de polarização acirrada, com margem estreita separando os dois polos.