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O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta sexta-feira (14, a redução de tarifas de importação sobre café, carne bovina, banana, tomate e outros alimentos. A medida marca o primeiro recuo do tarifaço imposto em agosto e ocorre em meio à pressão inflacionária sobre o mercado americano.

Para o Brasil, que foi diretamente afetado pelas sobretaxas, a decisão abre espaço para recompor exportações e fortalece a posição negociadora em Washington.

Impacto direto para o Brasil

O Brasil é o maior fornecedor de café para os EUA e um dos principais exportadores de carne bovina. Desde a implementação das tarifas totais de 50%, as vendas ao mercado americano foram severamente atingidas. Dados do Cecafé indicam queda de 54,4% nas exportações de café para os EUA em outubro, na comparação com o ano anterior.

Em alimentos, o tarifaço pressionou preços internos nos EUA: o café subiu cerca de 20% em um ano, enquanto a carne bovina avançou de 12% a 18%, segundo o índice oficial de inflação ao consumidor (CPI). A revisão anunciada agora tem efeito retroativo a 13 de novembro e inclui centenas de produtos considerados essenciais pelo varejo americano.

Negociações com EUA

A decisão da Casa Branca foi anunciada no mesmo período em que Brasil e Estados Unidos intensificaram negociações para reverter o tarifaço. Nesta semana, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu em Niagara Falls com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tratar diretamente da proposta brasileira apresentada no início de novembro.

Segundo fontes diplomáticas, o Brasil pediu uma resposta rápida dos EUA sobre a possibilidade de suspender temporariamente as sobretaxas enquanto avançam conversas setoriais. Washington indicou que avalia o pedido e que uma resposta pode sair “em poucos dias”. Esse movimento coincidiu com o anúncio americano de redução de tarifas sobre alimentos, interpretado pelo governo brasileiro como um sinal de flexibilização.

Diplomacia brasileira

A revisão parcial das tarifas reforça a estratégia adotada pelo Itamaraty: insistir na suspensão do tarifaço enquanto negociações específicas sobre café, carnes, insumos agrícolas e manufaturados são detalhadas. Para o Brasil, a mudança de postura de Washington demonstra que o efeito econômico das tarifas internas tornou mais difícil sustentá-las politicamente, abrindo espaço para acordos mais equilibrados.

A aproximação entre Lula e Trump nas últimas semanas também deu combustível às tratativas. Os dois líderes conversaram na Assembleia-Geral da ONU e voltaram a se encontrar na Malásia, durante reunião da Asean. Na ocasião, Trump afirmou que as tarifas aplicadas ao Brasil poderiam “ser revistas rapidamente”.

Pontos sensíveis na mesa

Apesar do recuo, divergências permanecem. Os Estados Unidos querem discutir ainda o acesso ampliado ao mercado brasileiro de etanol de milho, hoje sujeito a tarifa de 18%. Além disso, esperam rever regras brasileiras para plataformas digitais, que Washington relaciona à liberdade de expressão.

O Brasil, por sua vez, sustenta que qualquer avanço precisa considerar reciprocidade e que o mercado de açúcar americano, altamente protegido, sempre foi excluído dessas conversaso.

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