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O secretário de Estado dos Estados Unidos (EUA), Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (7) que o petróleo venezuelano é o eixo central da estratégia americana para reorganizar o país após a captura do presidente Nicolás Maduro. Em entrevista coletiva em Washington, Rubio deixou claro que o controle da produção, do escoamento e das receitas energéticas será usado como principal instrumento de pressão política e econômica sobre o novo governo venezuelano.

Segundo Rubio, a política dos EUA para a Venezuela foi estruturada para impedir que o petróleo continue financiando redes consideradas hostis a Washington e, ao mesmo tempo, garantir que a riqueza energética seja redirecionada de acordo com interesses definidos pelos Estados Unidos. Ele afirmou que sanções, interdições marítimas e restrições logísticas seguem ativas e que a chamada “quarentena” sobre navios ligados ao petróleo venezuelano continuará sendo aplicada.

A coletiva reforçou que o plano americano não se limita à estabilização imediata. Rubio afirmou que a reorganização do setor energético é vista como condição para qualquer processo de recuperação econômica e de transição política no país. O secretário indicou que empresas americanas e de países aliados poderão ter acesso ao petróleo venezuelano, desde que o novo governo cumpra exigências estabelecidas por Washington.

Observação internacional

A Revista Time destaca que essa abordagem reflete uma decisão direta do presidente Donald Trump, que passou a tratar o petróleo da Venezuela como ativo estratégico prioritário, tanto para garantir fornecimento energético quanto para limitar a influência de países como a China no mercado venezuelano. A revista aponta que o discurso de Rubio alinha-se à visão de Trump de que a política externa deve produzir ganhos econômicos tangíveis para os Estados Unidos.

Rubio também afirmou que a pressão poderá ser intensificada caso o governo venezuelano não avance em medidas exigidas pelos EUA, incluindo mudanças na condução política, cooperação em segurança e combate a atividades ilícitas. Ele evitou mencionar prazos, mas indicou que Washington considera manter instrumentos coercitivos enquanto julgar necessário.

Pano de fundo diplomático dos EUA

Em segundo plano, Rubio comentou as tensões com aliados europeus, especialmente após declarações de Trump sobre a Groenlândia. O secretário confirmou que pretende se reunir com autoridades da Dinamarca, classificando o território como estratégico para os interesses dos EUA no Ártico, mas sem anunciar medidas concretas.

Questionado sobre a reação de países da OTAN, Rubio reconheceu divergências, mas afirmou que os Estados Unidos continuarão tomando decisões com base em seus interesses nacionais, mesmo quando isso gerar desconforto entre aliados.

A coletiva consolidou a linha da atual política externa americana: uso direto do poder econômico e energético como ferramenta de influência política, redução do papel de instâncias multilaterais e centralização das decisões estratégicas na Casa Branca. No caso da Venezuela, Rubio deixou explícito que o petróleo deixou de ser apenas um recurso econômico e passou a ser tratado como o principal instrumento de redefinição do futuro do país sob a ótica de Washington.

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