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São Paulo vivencia um momento paradoxal no mercado imobiliário. Ao mesmo tempo em que bate recordes de lançamentos de apartamentos, o setor enfrenta desafios significativos relacionados ao acesso a crédito e à escassez de mão de obra qualificada. O aquecimento do mercado paulistano contrasta com a desaceleração observada nos indicadores nacionais da construção civil.

De acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), as incorporadoras têm enfrentado dificuldades para acessar crédito tradicional, precisando recorrer ao mercado de capitais como alternativa de financiamento. Além disso, a busca por trabalhadores qualificados para obras se tornou um obstáculo crescente.

Esses dois fatores têm pressionado as margens das incorporadoras ou elevado o preço dos imóveis, dependendo da estratégia financeira adotada por cada empresa. A situação evidencia a complexidade do momento atual: mesmo com o volume recorde de lançamentos na capital paulista, o setor opera sob condições mais adversas do que em anos anteriores.

No cenário nacional, os números confirmam a desaceleração. De acordo com dados do SindusCon-SP, o PIB da Construção deve fechar 2025 com crescimento de 1,80%, valor significativamente inferior aos 4,3% registrados em 2024. O aumento da taxa de juros é apontado como principal responsável pela queda do indicador, ao esfriar a atividade econômica e reduzir investimentos.

Para 2026, o sindicato projeta recuperação parcial, com crescimento estimado em 2,7% em um cenário-base. Essa perspectiva sugere retomada gradual, embora ainda distante dos patamares de 2024, indicando que o setor continuará navegando em águas desafiadoras nos próximos anos.

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