miss
Divulgação

Uma cerimônia prévia do Miss Universo 2025, realizada na terça-feira (4) em Bangkok, na Tailândia, terminou em protesto coletivo após o diretor local do evento, Nawat Itsaragrisil, repreender publicamente a Miss México, Fatima Bosch. O episódio, ocorrido durante a tradicional entrega de faixas às participantes, foi transmitido ao vivo nas redes sociais e provocou reações dentro e fora do concurso.

Bronca pública e saída das candidatas

Itsaragrisil, que preside o Miss Universo Tailândia, interrompeu Bosch diante das demais candidatas, afirmando que ela não havia feito postagens promocionais solicitadas pela organização. Diante da tentativa de resposta da mexicana, o dirigente elevou o tom de voz e ordenou: “Quem quiser continuar, sente-se. Se sair, o resto permanece.”

A cena levou à saída imediata de Bosch e de várias concorrentes que decidiram acompanhá-la em solidariedade. Entre elas estava a atual Miss Universo, Victoria Kjær Theilvig, da Dinamarca. “Trata-se de direitos das mulheres. Não é assim que as coisas devem ser conduzidas. Humilhar outra garota é o cúmulo da falta de respeito. Por isso, peguei meu casaco e fui embora”, declarou Theilvig à imprensa local.

Reação da organização

Segundo a imprensa tailandesa, Itsaragrisil teria chamado Bosch de “cabeça oca” durante a discussão. O dirigente negou a ofensa, mas admitiu ter “perdido o controle” e pediu desculpas públicas. Ainda assim, a Organização Miss Universo classificou o comportamento como “inaceitável” e anunciou que tomará medidas legais.

O presidente da entidade, Raul Rocha, afirmou que o executivo “esqueceu o verdadeiro significado de ser anfitrião” e informou que sua participação será “limitada ao máximo” ou “eliminada completamente”. Uma equipe internacional foi enviada a Bangkok para reassumir a coordenação local do concurso.

Após o episódio, Bosch declarou que continuará nas etapas seguintes. “Quero que meu país saiba que não tenho medo de fazer minha voz ser ouvida. Ela está mais forte do que nunca. Tenho um propósito, tenho coisas a dizer”, afirmou. “Estamos no século 21. Não sou uma boneca para ser maquiada, penteada e ter a roupa trocada. Vim aqui para ser a voz de todas as mulheres e meninas que lutam por causas e para dizer ao meu país que estou totalmente comprometida com isso.”

Repercussão internacional

Fontes da imprensa internacional, como Newsweek, Global News e People, relatam que “mais de uma dúzia” de misses deixaram o salão, mas os nomes e países não foram oficialmente divulgados. Perfis de fãs nas redes sociais citam candidatas da Colômbia, Peru, Argentina, Chile, Canadá e França entre as que protestaram, sem confirmação da organização.

O incidente ocorre na mesma semana em que a presidente do México, Claudia Sheinbaum, foi alvo de assédio durante um evento público, ao ser tocada e abraçada sem consentimento por um homem enquanto discursava. As duas situações, em contextos distintos, reacenderam o debate sobre o respeito a mulheres em espaços de visibilidade e liderança.

A final do Miss Universo 2025 está marcada para o dia 21 de novembro, em Bangkok.

Veja vídeo:

Veja também