
A semana não foi exatamente quente para as pretensões imediatas de Wagner Moura na corrida pelo Oscar. O ator ficou fora das indicações ao Actor Awards — novo nome do antigo SAG Awards, principal termômetro da indústria para as categorias de atuação — e também não apareceu em algumas pré-listas que costumam antecipar os favoritos da Academia. No calendário apertado da temporada, isso pesa. Mas não encerra a disputa.
O ponto central é que o momento de Moura vai muito além de uma única semana ou de uma lista específica. Nos últimos meses, ele acumulou feitos raros para um ator brasileiro: protagonizou um filme premiado em Cannes, entrou no radar de grandes premiações internacionais, foi indicado ao Globo de Ouro (tornando-se o primeiro brasileiro a disputar a categoria) e manteve presença constante em debates críticos, apostas de mercado e coberturas especializadas.
Moura, mudanças e previsões
A ausência no Actor Awards ocorre num contexto mais amplo de mudança de peso dessas premiações. O evento, embora ainda influente, perdeu parte da sua capacidade de “cravar” destinos na corrida ao Oscar, especialmente após reformulações internas, mudanças no perfil do eleitorado e a ampliação da diversidade internacional na Academia. Em outras palavras: ficar fora já não é sinônimo automático de eliminação.
Além disso, a temporada segue em movimento. As indicações oficiais ao Oscar só serão anunciadas na próxima semana, e o histórico recente mostra que surpresas continuam possíveis, sobretudo em anos marcados por forte presença de produções internacionais e performances fora do eixo tradicional de Hollywood.
Mais importante ainda é o saldo estrutural. Wagner Moura hoje ocupa um lugar que poucos atores brasileiros alcançaram: o de referência global. Depois de Fernanda Torres, seu nome passou a funcionar como porta de entrada para o cinema nacional em circuitos de prestígio, ajudando a reposicionar o Brasil como produtor de narrativas relevantes, complexas e competitivas no cenário internacional.
Se o Oscar vier, será consequência. Se não vier agora, o movimento já está feito. E esse, para além de qualquer estatueta, é um avanço que não se perde de uma semana para outra.