
A startup brasileira PixNow passou a permitir que usuários realizem pagamentos e transferências internacionais com a mesma dinâmica do Pix nacional. A empresa, criada em janeiro em São Paulo, opera hoje em pontos de venda de Colômbia, Uruguai, Argentina, Chile e Panamá, além de intermediar remessas para outros destinos. Em seus primeiros meses, processou transações para cerca de 20 mil clientes.
A proposta da empresa é conectar estabelecimentos e usuários em diferentes países à infraestrutura do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Um restaurante em Cartagena, por exemplo, pode aceitar pagamentos por Pix de turistas brasileiros, enquanto empresas estrangeiras conseguem enviar valores ao Brasil com liquidação imediata.
Para viabilizar essas operações no varejo internacional, a PixNow firmou parcerias com adquirentes locais. Quando o cliente seleciona a opção Pix na maquininha de outro país, a adquirente aciona o sistema da startup, que gera um QR Code no Brasil e o envia ao aparelho. O pagamento é feito pelo aplicativo bancário do cliente e o valor é creditado inicialmente em uma conta da PixNow, que depois liquida a operação com o estabelecimento por meio dos mecanismos tradicionais de transferência internacional, como Swift ou stablecoins.
Nas remessas ao exterior, o usuário faz um Pix para uma chave vinculada ao destinatário. A liquidação imediata é garantida por um fundo de parceiros mantido no país de destino. A compensação internacional ocorre posteriormente, conforme as regras de cada operação.
O fundador da startup, Victor Cunha, afirma que o objetivo é expandir a atuação para os Estados Unidos e países europeus a partir de 2026. Para isso, a empresa trabalha para atender às novas exigências regulatórias do Banco Central para prestadores de serviços de ativos virtuais, que incluem capital mínimo estimado em R$ 10,8 milhões.
Expansão do Pix
Na última semana, a ApexBrasil anunciou que a PixNow, ao lado de outras startups brasileiras, será incubada em Lisboa em um programa voltado à entrada de empresas nacionais no mercado europeu. A participação da fintech no Web Summit, em Portugal, integra essa estratégia de captação de investimentos.
Durante a abertura do evento, o fundador da conferência, Paddy Cosgrave, citou o Pix como exemplo de modelo capaz de produzir transformações no ecossistema global de pagamentos. Segundo ele, a adoção da ferramenta por economias emergentes e outras regiões pode pressionar estruturas tradicionais de cobrança e operação.
Experiências semelhantes ao modelo da PixNow já vêm ocorrendo em pontos turísticos internacionais. Desde o ano passado, estabelecimentos na Argentina passaram a aceitar pagamentos via Pix, movimento também observado em cidades europeias.