
Na última quinta-feira (18), a plataforma TikTok informou a funcionários que assinou um acordo para vender a maior parte de sua operação nos Estados Unidos a um grupo de investidores americanos e internacionais, encerrando um impasse que se arrasta há anos entre o aplicativo e autoridades do país. A medida tem como objetivo evitar o banimento da plataforma, exigido por lei aprovada pelo Congresso sob alegações de risco à segurança nacional.
A operação envolve a criação de uma nova empresa responsável exclusivamente pelo TikTok nos EUA, com controle majoritário fora da chinesa ByteDance, proprietária original da plataforma. O acordo deve ser concluído até 22 de janeiro.
Pressão política e risco de banimento
As negociações ocorrem após anos de pressão do governo americano sobre a ByteDance, motivada por preocupações com o acesso a dados de usuários e possível influência estrangeira sobre o funcionamento do aplicativo. Em abril de 2024, durante o governo Joe Biden, o Congresso aprovou uma lei determinando que o TikTok seria proibido nos Estados Unidos caso sua operação não fosse vendida a investidores considerados independentes de governos estrangeiros.
A lei previa entrada em vigor em janeiro de 2025, mas teve sua aplicação adiada diversas vezes pelo então presidente Donald Trump, enquanto seu governo buscava viabilizar uma solução negociada.
Quem assume o controle da operação
Pelos termos do acordo, a ByteDance manterá uma participação minoritária de 19,9% no novo negócio. O controle ficará com um consórcio de investidores, entre eles a Oracle, a gestora Silver Lake e a MGX, empresa de investimentos com sede nos Emirados Árabes Unidos. Cada um desses grupos ficará com cerca de 15% da operação.
Outros 30,1% serão detidos por afiliadas de investidores já ligados à ByteDance, o que resulta em uma estrutura em que mais de 80% do capital ficará sob controle de investidores não chineses.
Papel da Oracle e controle do algoritmo
A Oracle terá papel central na nova estrutura. A empresa ficará responsável pelo armazenamento dos dados de usuários americanos em servidores locais e pela supervisão dos sistemas de segurança. A Casa Branca já havia indicado que a empresa também licenciará e auditará o algoritmo de recomendação do TikTok, considerado o principal ativo da plataforma.
O acordo prevê mecanismos de governança para limitar a influência da ByteDance sobre decisões estratégicas, conteúdo e uso de dados, pontos que estiveram no centro das preocupações do governo americano.
Impacto para usuários e mercado
Com o acordo, o TikTok deve manter sua operação normal nos Estados Unidos, onde soma mais de 170 milhões de usuários. A definição traz previsibilidade para criadores de conteúdo, anunciantes e empresas que utilizam a plataforma como canal de negócios e comunicação.
Ainda assim, permanecem dúvidas sobre o grau de independência efetiva da nova empresa em relação à ByteDance, especialmente no que diz respeito à tecnologia e à integração com operações globais da plataforma.
Um acordo com peso geopolítico
A venda do TikTok nos Estados Unidos se tornou um dos episódios mais emblemáticos da disputa tecnológica entre Washington e Pequim. O caso combina temas de segurança nacional, economia digital e regulação de plataformas globais, e pode servir de referência para outros países que discutem limites à atuação de empresas estrangeiras no setor de tecnologia.
O desfecho do acordo encerra um capítulo relevante dessa disputa, mas mantém aberto o debate sobre soberania digital, proteção de dados e controle de grandes plataformas globais.