
Autoridades do Paraguai informaram que a tornozeleira eletrônica vinculada a Silvinei Vasques foi encontrada na madrugada desta segunda-feira (29) em um banheiro de uma rodoviária do país. O equipamento estava desacoplado do usuário e foi recolhido pela polícia local, que comunicou o caso às autoridades brasileiras.
O achado ocorreu três dias após a prisão do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), detido na sexta-feira (26), no Paraguai, enquanto tentava deixar o país. Segundo informações divulgadas por autoridades paraguaias e confirmadas por veículos da imprensa brasileira, Silvinei Vasques foi interceptado durante uma tentativa de fuga, em descumprimento às medidas cautelares impostas pela Justiça brasileira.
Tentativa de fuga e prisão no Paraguai
De acordo com a apuração, Silvinei Vasques entrou no Paraguai e tentou seguir viagem sem autorização judicial, mesmo estando submetido ao uso de tornozeleira eletrônica. A polícia paraguaia realizou a abordagem após alertas emitidos a partir do monitoramento do equipamento e de informações compartilhadas entre autoridades brasileiras e paraguaias.
Após a prisão, o ex-diretor foi levado para uma unidade policial no Paraguai, onde permaneceu sob custódia enquanto as autoridades brasileiras foram notificadas. A retirada da tornozeleira e o abandono do equipamento em local público passaram a ser tratados como elementos adicionais de possível descumprimento das medidas impostas pela Justiça.
Acusações no Brasil
No Brasil, Silvinei Vasques é investigado por sua atuação à frente da PRF durante o segundo turno das eleições de 2022. Ele responde por acusações relacionadas ao uso indevido da estrutura da corporação para interferir no processo eleitoral, especialmente por meio de operações rodoviárias que teriam dificultado o deslocamento de eleitores em determinadas regiões do país.
As investigações apontam possíveis crimes como abuso de autoridade, prevaricação e tentativa de interferência no processo democrático. As medidas cautelares impostas, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de deslocamento, foram determinadas para evitar fuga e garantir o andamento das apurações.
Consequências jurídicas
A localização da tornozeleira fora do território brasileiro e a tentativa de fuga internacional ampliam a gravidade do caso. Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que o episódio pode levar ao endurecimento das medidas cautelares ou até à decretação de prisão preventiva, a depender da avaliação do Judiciário.
Caso seja condenado pelas acusações relacionadas às eleições de 2022, Silvinei Vasques pode enfrentar penas que, somadas, ultrapassam uma década de prisão, além de sanções administrativas e perda de direitos políticos, conforme os tipos penais eventualmente reconhecidos ao final do processo.
Comunicação entre países
O caso envolve cooperação direta entre autoridades brasileiras e paraguaias. A polícia do Paraguai informou que segue à disposição para fornecer detalhes sobre a prisão, a localização da tornozeleira e os deslocamentos do ex-diretor antes da detenção. No Brasil, as informações devem ser incorporadas aos autos das investigações em curso.
O episódio adiciona um novo capítulo ao caso de Silvinei Vasques e reforça a dimensão internacional das apurações, que agora incluem possível evasão do monitoramento judicial e descumprimento explícito das condições impostas pela Justiça brasileira.