Correios
Joédson Alves/Agência Brasil

Trabalhadores dos Correios iniciaram uma paralisação em diferentes regiões do país após assembleias realizadas entre terça (16) e quarta-feira (17), em meio a um impasse nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho. A mobilização ocorre em um período de alta demanda por serviços postais, às vésperas das festas de fim de ano, e pode afetar prazos de entrega de cartas e encomendas.

A empresa conta hoje com cerca de 85 mil empregados em todo o país. Segundo dados divulgados pela própria estatal, aproximadamente 9% do efetivo aderiu à paralisação até o momento, o que indica um movimento parcial e regionalizado, embora com impacto concentrado em centros de distribuição estratégicos.

Impacto da greve

A paralisação foi aprovada por sindicatos em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba. Em algumas localidades, a adesão é significativamente maior do que a média nacional. Em unidades do interior do Rio Grande do Sul, por exemplo, sindicatos relatam que até 80% dos trabalhadores cruzaram os braços, reduzindo de forma expressiva a capacidade de triagem e distribuição.

Segundo representantes da categoria, a greve foi motivada pela ausência de avanços nas negociações salariais e por divergências em torno da manutenção de benefícios previstos em acordos anteriores. As conversas vinham sendo conduzidas com mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas não houve consenso até agora.

A direção dos Correios afirma que os serviços seguem em funcionamento e que cerca de 91% dos empregados permanecem em atividade, ainda que reconheça possíveis atrasos pontuais, sobretudo em regiões com maior adesão à paralisação. A empresa atribui as dificuldades de negociação a restrições financeiras e informou que trabalha para mitigar impactos à população.

A paralisação ocorre em um dos períodos mais sensíveis do ano para a estatal, marcado pelo aumento expressivo no volume de encomendas relacionadas ao Natal e ao comércio eletrônico. Mesmo com adesão parcial, sindicatos alertam que a concentração da greve em áreas operacionais pode afetar prazos de entrega justamente no período de maior demanda.

As negociações seguem em andamento no âmbito do TST. A continuidade ou ampliação do movimento dependerá do resultado das próximas rodadas de conversa e das decisões das assembleias da categoria nos próximos dias.

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