
As tarifas do transporte público em São Paulo serão reajustadas a partir de 6 de janeiro de 2026, após anúncios do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP). As passagens de metrô e trens metropolitanos passam de R$ 5,20 para R$ 5,40, o que representa reajuste de 3,8%, enquanto a tarifa dos ônibus municipais também será elevada para R$ 5,40, com aumento de cerca de 6%, segundo a prefeitura.
Os reajustes ocorrem após ambos terem sinalizado, durante campanhas eleitorais recentes, a intenção de evitar aumentos tarifários, e recolocam no centro da agenda pública o debate sobre o custo do sistema, o volume de subsídios públicos e a qualidade do serviço oferecido à população.
Justificativa do governo estadual
Ao anunciar o aumento das tarifas do sistema metroferroviário na última segunda-feira (29), Tarcísio de Freitas afirmou que o reajuste busca recompor parte da inflação acumulada e garantir a sustentabilidade do sistema. Segundo o governador, o aumento ficou abaixo da inflação do período e não cobre integralmente os custos operacionais.
“O reajuste é necessário para manter o funcionamento do sistema e assegurar investimentos. Mesmo com esse aumento, o governo continua arcando com uma parcela significativa dos custos por meio de subsídios”, afirmou.
O governo estadual argumenta que despesas com energia elétrica, manutenção, contratos de operação e insumos cresceram ao longo de 2024 e 2025, pressionando o orçamento do sistema. A gestão também sustenta que o valor da tarifa paga pelo usuário permanece inferior ao custo real por passageiro.
Argumentos da prefeitura
No caso dos ônibus municipais, Ricardo Nunes justificou o reajuste com base no aumento dos custos operacionais e na necessidade de preservar o equilíbrio financeiro do sistema. Segundo a prefeitura, a atualização foi definida após dois anos de tarifa congelada.
“Seguramos o quanto foi possível. O sistema tem custos que aumentaram, como combustível, peças e contratos. Mesmo com o reajuste, a prefeitura continuará colocando bilhões de reais por ano para manter o transporte funcionando”, declarou o prefeito, também na segunda-feira (29).
A administração municipal afirma que, sem o reajuste, o volume de subsídios teria de ser ampliado, com risco de comprometimento da operação e da renovação da frota.
Falhas, atrasos e lotação em 2025
O aumento das tarifas ocorre após um ano marcado por problemas operacionais recorrentes no transporte público paulista. Informações divulgadas ao longo de 2025 por operadoras estaduais e pela prefeitura indicaram crescimento de falhas no sistema metroferroviário, com interrupções parciais, redução de velocidade e paralisações em horários de pico, especialmente em linhas de maior demanda.
No sistema de ônibus, relatórios da SPTrans e registros da ouvidoria municipal apontaram alta nas reclamações por lotação e intervalos irregulares, com veículos operando acima dos parâmetros de conforto em diversos corredores. Técnicos do setor também registraram sobrecarga nos horários de pico, com densidade superior a 6 passageiros por metro quadrado em trechos críticos, patamar considerado limite para operação regular.
Além do impacto no orçamento das famílias, o reajuste recoloca em debate a qualidade do transporte público em São Paulo. A combinação entre tarifa mais alta e problemas estruturais mantém a mobilidade urbana como um dos temas mais sensíveis da agenda política estadual e municipal, ampliando a cobrança por melhorias efetivas no serviço, transparência nos subsídios e coerência entre discurso eleitoral e decisões de governo.