
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (9) o fim da guerra entre Israel e o Hamas, após a assinatura de um acordo de cessar-fogo mediado por Washington, Egito, Catar e Turquia. O anúncio ocorre dois anos após o início do conflito, em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou um ataque que matou mais de 1.200 pessoas em Israel e sequestrou outras 251.
Segundo Trump, o acordo representa “a primeira fase” de um plano de paz mais amplo para o Oriente Médio. Ele afirmou que pretende viajar ao Egito nos próximos dias para participar da cerimônia de assinatura do tratado e confirmou que foi convidado a discursar no Knesset, o Parlamento israelense — algo que apenas três presidentes americanos fizeram antes dele.
Pelo plano, o Hamas se compromete a libertar todos os reféns ainda mantidos em cativeiro — 48, de acordo com Israel, sendo que apenas cerca de 20 estariam vivos. Em troca, o governo israelense libertará aproximadamente 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo condenados à prisão perpétua. A expectativa é de que as libertações ocorram até a próxima segunda-feira (13).
Entre as exigências israelenses está o desarmamento completo do Hamas e sua saída do governo de Gaza, condições que ainda geram impasse. Líderes do grupo afirmam que “nenhum palestino aceita o desarmamento”. Apesar disso, Khalil Al-Hayya, um dos principais negociadores do Hamas, declarou o “fim da guerra” e disse ter recebido garantias dos Estados Unidos e de mediadores árabes sobre a manutenção de um cessar-fogo permanente.
A proposta apresentada por Washington prevê que a Faixa de Gaza se torne uma zona livre de grupos armados, administrada temporariamente por um comitê palestino tecnocrático até a transferência do poder para a Autoridade Palestina. O plano também inclui um pacote econômico de reconstrução e o envio de ajuda humanitária, com mais caminhões de comida, água e medicamentos entrando no território.
Entre os pontos mais delicados está a devolução dos corpos de reféns mortos em cativeiro. Fontes israelenses afirmam que o Hamas não localizou todos os corpos — cerca de seis ou sete estariam desaparecidos. A Turquia anunciou que liderará uma força-tarefa internacional para ajudar nas buscas.
Trump classificou o acordo como um “marco histórico” e disse acreditar que ele abrirá caminho para uma “paz duradoura” na região. O governo israelense, por sua vez, ainda precisa aprovar oficialmente o texto. O cessar-fogo deve começar em até 24 horas após a ratificação.
Após mais de 60 mil mortes em Gaza, segundo números divulgados por autoridades locais, a trégua surge como o primeiro passo concreto rumo ao fim de um dos conflitos mais violentos do século.