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The White House

A escalada do conflito no Oriente Médio ganhou novos contornos nesta sexta-feira (20), com Donald Trump atacando publicamente os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os EUA anunciando o envio de reforços militares à região e Israel sendo alvo simultâneo de ataques aéreos do Irã e do Hezbollah.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump classificou os países membros da Otan de “covardes” por não terem apoiado os EUA na ofensiva contra o programa nuclear iraniano e por se recusarem a participar da operação para reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado por Teerã desde o início do conflito. “Sem os EUA, a Otan é um tigre de papel!”, escreveu o presidente americano, acrescentando que os aliados “reclamam dos altos preços do petróleo”, mas não tomam nenhuma atitude concreta para solucionar o problema. “COVARDES, e nós VAMOS LEMBRAR!”, concluiu.

A declaração ocorre mesmo após Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Holanda, todos membros da Otan, além do Japão, terem sinalizado disposição para ajudar a liberar a via marítima estratégica, sem, no entanto, detalhar de que forma o fariam. Na véspera, o secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, já havia chamado os europeus de “ingratos”, sinalizando o nível de tensão entre Washington e seus aliados tradicionais.

O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais críticos do comércio global de energia: por ali passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. Seu fechamento por Teerã representa um dos principais fatores por trás da alta nos preços do combustível observada nas últimas semanas.

Enquanto trocava farpas com os aliados, o governo Trump reforçava silenciosamente sua presença militar na região. Três novos navios de guerra e cerca de 2.500 fuzileiros navais e marinheiros estão sendo enviados ao Oriente Médio, segundo as agências Reuters e Associated Press. As embarcações — USS Boxer, USS Portland e USS Comstock — integram o grupo de assalto anfíbio Boxer, especializado em operações de desembarque e apoio logístico. O reforço eleva para cerca de 50 mil o número de militares americanos na região, além de dezenas de navios de guerra, incluindo os porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald Ford.

Ataque à área residencial em Israel |
Foto: Hezbollah/Telegram

Apesar de Trump ter declarado na quinta-feira que não enviaria mais tropas, fontes ouvidas pela Reuters sob anonimato indicam que Washington considera ampliar ainda mais o contingente. Uma invasão terrestre ao Irã também estaria sendo ponderada nos bastidores.

No front israelense, o dia foi marcado por uma nova rodada de ataques cruzados. O Irã e o Hezbollah lançaram mísseis contra o território israelense, tendo como alvos declarados o aeroporto Ben Gurion, o Ministério da Segurança Interna e a emissora de TV Canal 13, em Tel Aviv. Israel acionou sirenes de alerta, e seu sistema de defesa foi ativado para interceptar os projéteis. Uma pessoa ficou ferida. Em retaliação, as forças israelenses lançaram uma nova onda de bombardeios contra o Irã.

O conflito também registrou baixas relevantes no lado iraniano. Na terça-feira, Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã, foi morto. Nesta sexta, Teerã confirmou a morte do general Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária. A eliminação sistemática de lideranças do regime iraniano aponta para uma estratégia israelense de desarticulação do comando adversário e sugere que o conflito está longe de qualquer desaceleração.

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