
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo deve seguir “administrando” a Venezuela e explorando o petróleo do país latino-americano “por muitos anos”. A declaração foi feita em entrevista ao jornal The New York Times, publicada nesta quinta-feira (8), e reforça uma retórica de ingerência direta de Washington sobre Caracas, com foco explícito nas reservas energéticas venezuelanas.
Questionado sobre a duração dessa atuação, Trump evitou estabelecer prazos. “Só o tempo vai dizer”, disse. Segundo ele, o atual governo interino da Venezuela, liderado pela vice-presidente Delcy Rodríguez após o afastamento de Nicolás Maduro, estaria cooperando com os interesses norte-americanos. “Por enquanto, eles estão nos dando tudo o que consideramos necessário”, afirmou.
Trump defendeu a estratégia como benéfica para ambos os países. De acordo com o presidente, os Estados Unidos pretendem usar o petróleo venezuelano tanto para consumo interno quanto para importação, com o objetivo de reduzir os preços globais da commodity. “Vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo, importar petróleo, baixar os preços do petróleo e dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, declarou.
As falas reacendem críticas internacionais sobre soberania e direito internacional, ao sugerirem uma relação assimétrica em que a política energética venezuelana estaria subordinada aos interesses estratégicos de Washington. Especialistas apontam que o discurso se distancia da diplomacia tradicional e se aproxima de uma lógica de tutela econômica e política.
As declarações sobre a Venezuela ocorrem em meio a uma postura mais ampla de Trump de rejeição ao multilateralismo. Na quarta-feira (7), o presidente anunciou a retirada dos Estados Unidos de dezenas de organismos ligados à ONU, reforçando uma política externa baseada em acordos seletivos e alinhados à sua agenda doméstica.
No caso venezuelano, porém, o tom adotado por Trump vai além da crítica a instituições internacionais e sugere um redesenho direto das relações bilaterais. Ao falar em “administrar” o país e explorar seus recursos naturais, o presidente sinaliza que a Venezuela ocupa um papel central em sua estratégia energética e geopolítica para os próximos anos.