
O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, autorizou a instalação de placas com descrições depreciativas de ex-presidentes em áreas da Casa Branca, formalizando uma prática que críticos classificam como uso político de um espaço histórico tradicionalmente tratado de forma institucional. A iniciativa gerou reação imediata no meio político e cultural americano.
As placas foram incorporadas a uma área informalmente chamada pela atual administração de “Presidential Walk of Fame”, a chamada “Calçada Presidencial da Fama” em português, onde retratos e referências a ex-presidentes passaram a ser acompanhados de textos avaliativos elaborados sob orientação do governo Trump. O conteúdo adota linguagem crítica e partidária, rompendo com o padrão histórico de descrições neutras ou meramente informativas.
Trump e os ataques a antecessores
Entre os principais alvos de Trump estão ex-presidentes democratas. Joe Biden é descrito em uma das placas como “o pior presidente da história americana”, em texto que também retoma alegações de fraude eleitoral e critica decisões de seu governo. Barack Obama aparece caracterizado como uma figura “divisiva”, com menções irônicas a políticas adotadas durante seus dois mandatos.
Outros ex-presidentes também receberam textos com avaliações negativas ou revisionistas, incluindo republicanos que, segundo a atual administração, teriam tomado decisões consideradas equivocadas em política externa ou econômica. Em contrapartida, figuras alinhadas à visão ideológica de Trump são retratadas de forma mais elogiosa.
Reação política e cultural
A medida provocou críticas de parlamentares democratas e republicanos, que apontam a politização de um espaço simbólico da democracia americana. Para esses críticos, a iniciativa rompe uma tradição de respeito institucional ao cargo presidencial, independentemente de divergências políticas.
No campo cultural, artistas, apresentadores de televisão e comentaristas destacaram o tom agressivo das descrições e questionaram o impacto simbólico da mudança. Avaliações públicas apontam que a Casa Branca passa a assumir características de palco de disputa narrativa, em detrimento de seu papel como símbolo do Estado.
Defesa da Casa Branca
A administração Trump afirma que as placas fazem parte de um esforço para “recontar a história de forma honesta”, incluindo críticas que, segundo o governo, teriam sido omitidas em abordagens anteriores. Porta-vozes sustentam que a iniciativa amplia o debate público sobre o legado dos presidentes e não viola normas institucionais.
A justificativa, no entanto, não reduziu as críticas sobre a adoção de linguagem editorializada e depreciativa em um espaço oficial, nem sobre a ausência de critérios históricos reconhecidos na elaboração dos textos.
Impacto institucional
Especialistas em história presidencial avaliam que a iniciativa representa uma mudança significativa no tratamento da memória institucional americana. Ao atribuir avaliações políticas permanentes ao legado de ex-presidentes, a Casa Branca altera a forma como visitantes e cidadãos entram em contato com a história do Executivo.
O episódio reforça o grau de polarização que marca a política dos Estados Unidos em 2025 e amplia o debate sobre os limites entre expressão política, preservação histórica e uso simbólico das instituições do Estado.