
O governo Donald Trump alterou a lista de cursos considerados profissionais para fins de acesso aos limites ampliados de financiamento estudantil federal. A mudança integra o pacote legislativo chamado “One Big Beautiful Bill” e foi registrada em documentos oficiais do Departamento de Educação. A informação foi divulgada por veículos de imprensa dos Estados Unidos, além de confirmada por comunicados de entidades acadêmicas.
A nova classificação mantém como cursos profissionais apenas medicina, farmácia, odontologia, optometria, direito, medicina veterinária, medicina osteopática, podologia, quiropraxia, teologia e psicologia clínica. A lista deixa de fora carreiras que historicamente exigem licenciamento, supervisão técnica e formação específica, como enfermagem, enfermagem avançada, assistência médica, fisioterapia, terapia ocupacional, audiologia, serviço social, educação, engenharia, arquitetura e contabilidade.
Associações nacionais que representam enfermeiros e instituições de ensino confirmaram que a exclusão de programas de enfermagem consta na proposta oficial enviada pelo governo ao setor de educação.
Medida de Trump x Impactos da mudança
A Associação Americana de Enfermagem divulgou nota afirmando que a exclusão da enfermagem da nova classificação compromete a capacidade do país de formar novos profissionais. A entidade destacou que estudantes poderão ser desestimulados a ingressar em cursos clínicos devido ao custo elevado sem acesso ao limite ampliado de financiamento.
A Associação Americana de Faculdades de Enfermagem também criticou a medida e afirmou que a definição apresentada pelo governo desconsidera padrões históricos adotados para reconhecer profissões regulamentadas. Segundo a entidade, a mudança pode afetar a estrutura de atendimento à saúde em estados que já enfrentam déficit de enfermeiros.
Política educacional
Pesquisadores entrevistados pela imprensa norte-americana afirmam que a alteração prioriza formações com maior retorno salarial e reduz o apoio para carreiras públicas essenciais, como saúde e educação básica. Especialistas também avaliam que a medida pode limitar o ingresso de estudantes em setores estratégicos e aprofundar desigualdades regionais de acesso à mão de obra.
Outras análises indicam que a nova regra reduz a exposição fiscal do governo no sistema de crédito estudantil, ao restringir empréstimos para áreas que registram salários mais baixos e probabilidade maior de inadimplência. Universidades públicas e comunitárias, as mais afetadas, avaliam que a política pode alterar matrículas e comprometer o modelo de financiamento institucional.
As novas regras entram em vigor em julho de 2026. Entidades do setor de saúde, educação e assistência social afirmam que pressionarão o Departamento de Educação por revisão da lista nos próximos meses.