
A União Europeia ratificou nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul, consolidando formalmente um tratado negociado ao longo de mais de duas décadas. A decisão transforma em ato político definitivo um processo que, nas últimas semanas, havia avançado com sinalizações favoráveis das instituições europeias, apesar de protestos de setores agrícolas e ambientais em alguns países do bloco.
Mais cedo, a Comissão Europeia já havia dado sinal verde ao texto final, indicando que as salvaguardas ambientais incluídas no acordo eram suficientes para permitir a ratificação. A posição abriu caminho para a decisão desta sexta-feira, mesmo diante de manifestações de agricultores e pressões de partidos que criticam os impactos do tratado sobre a produção local.
Dia histórico para o Mercosul
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a ratificação como um marco. Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões”, afirmou Lula.
O acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 780 milhões de consumidores. Está prevista a eliminação progressiva de tarifas sobre mais de 90% dos produtos comercializados entre os dois blocos, além de regras para compras governamentais, serviços, propriedade intelectual e compromissos ambientais.
A resistência europeia ao tratado esteve concentrada principalmente em países com forte setor agrícola, que temiam concorrência de produtos sul-americanos, e em grupos que cobravam garantias ambientais mais rígidas. O texto ratificado incorpora mecanismos de monitoramento, cláusulas ambientais e compromissos de combate ao desmatamento, pontos considerados decisivos para destravar a aprovação.
Do lado do Mercosul, o acordo ainda precisará ser analisado e ratificado pelos parlamentos nacionais para entrar plenamente em vigor. A implementação deve ocorrer de forma gradual, ao longo dos próximos anos.
A ratificação pela União Europeia ocorre em um cenário de reorganização do comércio global e reforça a estratégia dos dois blocos de ampliar parcerias em meio a tensões geopolíticas, disputas comerciais e fragmentação das cadeias internacionais de produção.