
O Oscar 2026 confirmou o favoritismo e coroou “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, como o grande vencedor da noite. Com seis estatuetas — melhor filme, direção, roteiro adaptado, montagem, ator coadjuvante e seleção de elenco —, o longa sobre revolucionários em um EUA fascista encerrou a cerimônia de domingo (15) como o título mais premiado da edição. A expectativa de uma disputa acirrada com “Pecadores” existiu, mas foi se dissipando ao longo da noite.
Para Anderson, a vitória teve um sabor especial. O cineasta colecionava 11 indicações ao longo da carreira sem nenhuma vitória. Na mesma noite, levou três estatuetas: roteiro adaptado, direção e, como produtor, melhor filme. Sean Penn, vencedor de melhor ator coadjuvante pelo mesmo filme, manteve sua tradição recente de não comparecer às premiações. O vencedor de 2025, Kieran Culkin, brincou ao anunciar o prêmio: disse que o receberia no lugar do colega, que não pôde ir — “ou não quis”, completou.
“Pecadores” e os recordes que não se converteram em troféus
“Pecadores” chegou à cerimônia como o filme com mais indicações da história do Oscar, com impressionantes 16 nomeações. Saiu com quatro estatuetas, roteiro original, trilha sonora, fotografia e ator, número que, isoladamente, seria motivo de celebração, mas ficou abaixo das expectativas geradas pelo recorde histórico de indicações.
A vitória de Michael B. Jordan como melhor ator foi um dos momentos mais marcantes da noite. Ao superar concorrentes como Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet, Ethan Hawke e o brasileiro Wagner Moura, Jordan se tornou apenas o sexto ator negro a vencer a categoria em quase cem anos de Oscar. Em seu discurso, ele prestou homenagem aos que vieram antes: Sidney Poitier, Denzel Washington, Jamie Foxx, Forest Whitaker e Will Smith. Citou também Halle Berry, única atriz negra a vencer melhor atriz na história da premiação. “Estar entre esses gigantes, entre meus ancestrais… obrigado”, disse, visivelmente emocionado.
Uma barreira de 97 anos derrubada
Outro momento histórico da noite veio com Autumn Durald Arkapaw, diretora de fotografia de “Pecadores”. Em 97 edições do Oscar, nenhuma mulher havia vencido a categoria de melhor fotografia — e nenhuma havia sequer sido indicada até 2018, quando Rachel Morrison foi nomeada por “Mudbound”. Arkapaw não apenas quebrou essa barreira como o fez com uma fotografia filmada em 65mm, utilizando câmeras IMAX de grande formato e Ultra Panavision 70 — equipamentos pesados e exigentes que resultaram em imagens de escala visual raramente vista no cinema contemporâneo.
Filha de mãe filipina e pai negro, ela subiu ao palco sob ovação e pediu que todas as mulheres presentes na sala se levantassem. “Sinto-me tão honrada por estar aqui. E quero que todas as mulheres nesta sala se levantem, porque sinto que não teria chegado aqui sem vocês”, disse, transformando uma vitória individual em celebração coletiva.
Brasil histórico, mas sem estatuetas
A torcida brasileira viveu uma noite de emoções mistas. Pela primeira vez na história, o Brasil concorreu a cinco categorias em uma mesma edição do Oscar — melhor filme, melhor ator (Wagner Moura), melhor filme internacional, melhor seleção de elenco, todos por “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, e melhor fotografia, com Adolpho Veloso por “Sonhos de Trem”. Nenhuma estatueta veio, mas o marco histórico ficou.
O grande momento brasileiro da noite foi Wagner Moura no palco, apresentando a categoria de melhor seleção de elenco ao lado de atores de outros filmes indicados. Antes da cerimônia, Kleber Mendonça Filho resumiu bem o espírito da delegação brasileira: “É um grande dia. Estamos com quase 40 companheiros da equipe. É um grande dia de celebração.”
Os demais destaques da noite incluíram Jessie Buckley, favorita absoluta que confirmou o prêmio de melhor atriz por “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”; Amy Madigan, melhor atriz coadjuvante por “A Hora do Mal”; e “Guerreiras do K-Pop”, que levou melhor animação e melhor canção original. “Frankenstein” venceu três categorias técnicas, enquanto o norueguês “Valor Sentimental” ficou com melhor filme internacional, frustrando as últimas esperanças brasileiras.