
O orçamento das universidades federais sofrerá um corte total de R$ 488 milhões em 2026, segundo avaliação da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) sobre o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) aprovado pelo Congresso Nacional. A redução corresponde a 7,05% dos recursos discricionários das instituições, destinados a despesas essenciais como contas de água e energia, bolsas acadêmicas, insumos de pesquisa, manutenção predial e compra de equipamentos.
A proposta original do PLOA previa R$ 6,89 bilhões para as 69 universidades federais no próximo ano. Com as alterações aprovadas na sexta-feira (19), o montante caiu para cerca de R$ 6,43 bilhões. Em nota, a Andifes afirma que os cortes atingem “todas as ações orçamentárias essenciais ao funcionamento da rede federal de ensino superior” e agravam um cenário já considerado crítico.
Um dos principais impactos recai sobre a assistência estudantil, área estratégica para garantir a permanência de alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Apenas nessa rubrica, a redução foi de aproximadamente R$ 100 milhões, o equivalente a 7,3% do total previsto. Segundo a entidade, o corte compromete diretamente a implementação da nova Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), instituída em 2024, e coloca em risco avanços recentes na democratização do acesso ao ensino superior público.
A Andifes alerta que, sem recomposição, o orçamento de 2026 ficará nominalmente inferior ao executado em 2025, desconsiderando os efeitos da inflação e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente os ligados à mão de obra. O quadro se torna ainda mais preocupante diante de restrições semelhantes impostas a órgãos de fomento como Capes e CNPq.
Para a associação, o cenário ameaça o pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão, além da sustentabilidade administrativa das universidades. Embora reconheça o diálogo mantido com o Ministério da Educação, a Andifes defende ações imediatas para recompor os recursos e evitar prejuízos ao papel estratégico das universidades no desenvolvimento científico, social e econômico do País.