
Pesquisas recentes demonstraram que no Brasil, 56% dos professores fazem uso de inteligência artificial para o planejamento e preparo de aulas, porcentagem maior do que a média internacional, de 36%. Quantos aos estudantes, 7 a cada 10 alunos do Ensino Médio já utilizaram IA para pesquisas escolares, mas apenas 32% receberam orientação sobre como aplicar a tecnologia em atividades de aprendizagem.
Isso é o que demonstra os estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), sobre dados do ano de 2024.
Para a pesquisa da OCDE foram considerados professores e diretores do 6º ao 9º do ensino fundamental de 53 países. Seja para elaborar formas mais assertivas para o ensino e aprendizagem ou planejar as aulas, educadores do Brasil se destacam pelo forte uso de IA, sendo a porcentagem maior do que a média internacional, de 36%.
Menos de 50% dos professores da Finlândia, Áustria, Bélgica, França e Suécia concordam que as ferramentas digitais podem ajudar no ensino e aprendizagem, em dissonância com os 95% de educadores da Arábia Saudita, Vietnã e Albânia, que acreditam no uso de IA para este fim.
Segundo o Cetic.br, foram analisados dados de estudantes do Ensino Médio de escolas brasileiras. Em menor escala, também foram considerados alunos do Ensino Fundamental que assumiram fazer uso de IA para pesquisar e realizar tarefas escolares. De 37% dos estudantes do fundamental, apenas 19% foram instruídos. As ferramentas mais utilizadas são o ChatGPT, Copilot e Google Gemini.
Além disso, nos 12 meses anteriores à pesquisa, 54% dos professores se envolveram em atividades de desenvolvimento profissional voltado ao uso de tecnologias digitais em ensino e aprendizagem, e 69% participaram de formação sobre como orientar os estudantes sobre o uso seguro de tecnologias digitais.
Em investigação realizada pela ferramenta de controle de audiência, SparkToro, foi percebido que a cada 1000 buscas realizadas entre janeiro e maio de 2024 nos Estados Unidos e União Europeia, apenas 374 geraram cliques. Assim, o contentamento de usuários com respostas prontas apresentadas pelas plataformas de tecnologia digital desmotiva cliques e reduz o tráfego de sites de checagem.
Para Renata Mieli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), a preocupação sobre esse comportamento está na ausência de fontes confiáveis e na dificuldade de questionar os dados apontados: “além de informações erradas que estas ferramentas podem oferecer, as respostas podem conter vieses de toda ordem que, sem uma mediação adequada, podem interferir no processo de formação. Principalmente se considerarmos os limites que professores e o ambiente escolar como um todo ainda têm diante da tecnologia nova, que ainda não conta com regulação.”