
Nesta terça-feira (10), o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo (PL), declarou oficialmente oposição à realização de megablocos no período de pré-Carnaval da capital paulista. A posição foi revelada em coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e veio à tona após uma sequência de críticas à organização da festa deste ano, marcada por episódios de superlotação e questionamentos sobre segurança e logística.
Segundo a publicação, Mello Araújo defendia restrições à concentração de grandes blocos antes do Carnaval oficial, apontando impactos sobre mobilidade urbana, segurança pública e funcionamento regular da cidade. A posição não prevaleceu nas decisões finais da Prefeitura, que autorizou a realização dos eventos de grande porte no pré-Carnaval.
Procurado para comentar a divergência, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que as decisões sobre o Carnaval não são individuais e que a organização da festa envolve diferentes áreas da administração municipal. “As decisões não são de uma pessoa só. Elas são tomadas de forma colegiada, com a participação de várias secretarias”, afirmou o prefeito, segundo a Folha.
Investigação e críticas à organização
A revelação da divergência interna ocorre após episódios de confusão e superlotação em megablocos realizados no último fim de semana. Registros de foliões prensados em grades, dificuldades de circulação e atendimentos médicos geraram críticas públicas e levaram o Ministério Público de São Paulo a abrir procedimento para apurar as condições de segurança e a autorização de eventos simultâneos em áreas já saturadas.
Parlamentares de oposição protocolaram representações questionando o planejamento da Prefeitura, alegando que alertas sobre riscos haviam sido feitos previamente. O foco das apurações recai sobre a concentração de grandes públicos em regiões centrais, como a Rua da Consolação, onde megablocos atraíram centenas de milhares de pessoas em um curto intervalo de tempo.
A Prefeitura afirmou que a operação envolveu diferentes órgãos municipais e forças de segurança, e que ajustes operacionais foram realizados ao longo dos dias de festa. Ainda assim, os episódios reacenderam o debate sobre limites para megablocos e sobre a adequação do pré-Carnaval como período para eventos de grande porte.
Mudança no financiamento e pressão sobre a logística
O debate sobre a organização dos megablocos também se intensificou após a decisão da gestão municipal de reduzir o investimento público direto no Carnaval de rua em 2026. Parte da infraestrutura passou a ser custeada majoritariamente por patrocínios privados, o que gerou críticas de organizadores e artistas sobre o impacto da mudança no planejamento e na execução dos desfiles.
A Prefeitura defende que o modelo mantém o Carnaval como política cultural da cidade e garante sua realização em larga escala, ao mesmo tempo em que reduz custos diretos para os cofres públicos. Críticos, no entanto, apontam que a combinação de menor aporte público e crescimento do público nos megablocos ampliou a pressão sobre serviços urbanos, como transporte, limpeza e atendimento de emergência.
A divergência entre prefeito e vice-prefeito, agora tornada pública, expõe tensões internas sobre o formato do Carnaval de rua em São Paulo. O tema deve permanecer no centro do debate municipal nos próximos meses, à medida que avançam as investigações e se intensificam as discussões sobre segurança, financiamento e uso do espaço urbano durante grandes eventos.