A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (14) a 6ª fase da Operação Compliance Zero, prendendo sete pessoas — entre elas, Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro — por suspeita de integrar uma organização criminosa dedicada a intimidação, coerção, obtenção ilegal de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos. A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e mirou dois núcleos criminosos apelidados de “A Turma” e “Os Meninos”.
De acordo com investigadores, “A Turma” atuava como braço de intimidação e espionagem a serviço de Henrique Vorcaro, responsável por demandar serviços ilícitos e efetuar pagamentos aos integrantes. O grupo é suspeito de praticar ameaças, coerções, levantamentos clandestinos e acessos indevidos a sistemas governamentais. Já “Os Meninos” teria perfil tecnológico, voltado para ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais e monitoramento telefônico ilegal.
O elemento mais alarmante da investigação é a participação de policiais federais no esquema. Entre os alvos da operação estão Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado; Anderson Wander da Silva Lima, agente da ativa lotado no Rio de Janeiro; e Valéria Vieira Pereira da Silva, delegada da PF. Valéria e Francisco José Pereira da Silva, também aposentado, teriam repassado informações sigilosas obtidas por meio do sistema e-Pol — plataforma interna da corporação — para Marilson Roseno da Silva, apontado como líder operacional do grupo.
A PF identificou que, em 2024, Marilson buscou auxílio de pelo menos três policiais federais para consultas indevidas em sistemas internos. O objetivo era descobrir o conteúdo de um inquérito no qual Henrique Vorcaro havia sido intimado. Em mensagem recuperada pelos investigadores, Marilson aciona Anderson Wander e informa que “um parceiro vai encontrar comigo aqui e vai trazer uma sucinta” — referência aparente à intimação dirigida ao pai do banqueiro.
Para a corporação, o conjunto de condutas aponta para “infiltração do grupo em circuitos informacionais sensíveis”, com uso de agentes funcionalmente habilitados para facilitar a circulação de recursos financeiros e dados sigilosos em benefício da organização criminosa. O caso expõe uma vulnerabilidade grave: policiais federais teriam se tornado instrumentos de uma quadrilha privada, comprometendo a integridade de investigações oficiais e a segurança de cidadãos considerados adversários do banqueiro.