A fila da perícia médica do INSS registrou em junho seu menor nível em quase três anos, marcando uma queda expressiva no volume de segurados aguardando avaliação para benefícios por incapacidade. Segundo dados oficiais, o número de agendamentos caiu para 391,4 mil, redução de 58,8% em relação a agosto de 2023, quando o total ultrapassava 949 mil pessoas. Em comparação ao pico de novembro de 2025, a retração chega a 68,2%.

O governo atribui o avanço a um conjunto de medidas: contratação de 500 novos peritos, realização de mutirões, pagamento de bônus por produtividade e ampliação do Atestmed, sistema que permite concessão de auxílio-doença e outros benefícios por meio de análise documental, sem necessidade de perícia presencial. Desde março, os atestados enviados pelo Meu INSS passaram a ser avaliados diretamente por peritos, que verificam a doença e o tempo de afastamento indicado pelo médico.

O tempo médio de espera também diminuiu: de 71 dias em agosto de 2023 para 30 dias em junho de 2026, com expectativa de queda para 25 dias em julho.

Apesar dos avanços, o modelo enfrenta críticas. A Associação Nacional dos Médicos Peritos alerta para risco elevado de fraude, especialmente em casos de doenças mentais, cuja comprovação é mais complexa. Há também preocupação com o aumento das concessões e possível pressão sobre as contas públicas. Críticos afirmam que a redução da fila pode ser “artificial”, impulsionada por negativas automatizadas e dificuldades para registrar novos pedidos.

O governo, por sua vez, sustenta que os índices de concessão e indeferimento do Atestmed são semelhantes aos das perícias presenciais, com taxas entre 60% e 65% de aprovação e 35% a 40% de negativas.

A disputa de narrativas ocorre em meio à promessa do presidente Lula de zerar a fila antes das eleições, transformando a eficiência do INSS em tema central do debate público.

Veja também