
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta sexta-feira (10) a construção de uma estratégia nacional para fortalecer a atuação do Brasil em toda a cadeia dos minerais críticos e das terras raras, desde a extração até o processamento e o refino. Durante reunião com ministros e representantes do setor, o presidente afirmou que o país precisa transformar seu potencial mineral em ganhos econômicos, tecnológicos e de soberania.
Segundo Lula, o Brasil já reúne conhecimento técnico para avançar na área, mas ainda falta uma decisão política sobre o modelo que será adotado. “O que falta para nós é uma decisão de governo sobre o que queremos propor à sociedade brasileira”, afirmou.
O tema ganhou prioridade dentro do governo após dois episódios recentes: a assinatura de um memorando de cooperação entre o governo de Goiás e os Estados Unidos para exploração de terras raras e a venda da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu (GO), para um grupo norte-americano. A empresa era a única produtora fora da Ásia das quatro terras raras pesadas consideradas mais estratégicas para a indústria global.
As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa. Já os chamados minerais críticos incluem também lítio, níquel, cobre, grafite e nióbio, matérias-primas fundamentais para a transição energética e para o avanço da inteligência artificial.
Atualmente, a China concentra a maior parte da produção e, principalmente, do processamento desses minerais. O Brasil possui a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, atrás apenas do país asiático, embora especialistas apontem potencial para novas descobertas.
Lula voltou a defender maior participação do Estado na cadeia mineral e reafirmou a intenção de criar uma empresa pública inspirada no modelo da Petrobras, mantendo o controle estatal mesmo com eventual participação privada.
O debate ocorre enquanto tramita no Senado o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, aprovado pela Câmara em maio. A proposta prevê um conselho para definir diretrizes do setor e um fundo garantidor estimado em R$ 5 bilhões para estimular investimentos.