Nelson Terme/CBF

A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, decretou o pior desempenho do país no torneio desde 1990. Mais do que uma queda precoce, o resultado melancólico refletiu o encerramento de um dos ciclos mais conturbados da história da equipe canarinho.

Desde a derrota para a Croácia em 2022 até o início do Mundial de 2026, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) viveu um caos político, sendo comandada por dois presidentes e um interventor. Essa instabilidade administrativa refletiu diretamente no campo: a Seleção teve quatro treinadores no período. Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior não conseguiram estabelecer um padrão de jogo, deixando uma herança desorganizada para o italiano Carlo Ancelotti.

Com menos de um ano de trabalho, Ancelotti enfrentou sérios problemas. Além de ter pouco tempo para mapear o futebol nacional, o técnico sofreu com uma onda de lesões que tirou peças fundamentais como Rodrygo, Éder Militão, Estêvão, Vanderson e Wesley — o que gerou improvisações improvisadas na lateral. Até mesmo Neymar, que passou o ciclo lidando com problemas físicos, foi convocado com uma lesão na panturrilha. Sem tempo e sem consistência, o preço cobrado foi alto.

O inabalável tabu europeu

A queda diante dos noruegueses ampliou um incômodo e persistente tabu recente. Esta foi a sexta vez consecutiva que o Brasil acabou eliminado por uma equipe da Europa em confrontos de mata-mata. A Seleção não vence um rival do Velho Continente nessa fase decisiva desde a conquista do pentacampeonato, em 2002, quando superou a Alemanha na final.

Desde então, o jejum que já dura 24 anos acumulou decepções em série. A sequência negativa começou em 2006, diante da França, nas quartas de final, e repetiu-se em 2010 contra a Holanda. Em 2014, houve o colapso contra a Alemanha e nova derrota para a Holanda na disputa de terceiro lugar. Em 2018, a Bélgica foi o algoz nas quartas e, em 2022, a Croácia avançou nos pênaltis. Agora, em 2026, a Noruega se juntou à lista. Com isso, o Brasil chegará a 2030 amargando um hiato de 28 anos sem erguer a taça, o maior jejum desde o primeiro título em 1958.

Cicatrizes que rompem gerações

Ao longo de suas 23 participações em Copas, o Brasil acumulou 18 eliminações, mas algumas se tornaram traumas nacionais profundos. O maior deles, o catastrófico 7 a 1 contra a Alemanha em 2014, jogando em casa, representou um apagão tático e um choque cultural sem precedentes para o país.

A goleada de 2014 rivaliza historicamente com o “Maracanaço” de 1950, quando o Uruguai calou um Maracanã lotado ao vencer por 2 a 1. Aquela derrota feriu a alma dos brasileiros e acabou sendo usada pela imprensa da época para culpar injustamente os jogadores negros Barbosa, Bigode e Juvenal.

Outros momentos emblemáticos completam a galeria de feridas nacionais: a final de 1998, marcada pela misteriosa convulsão de Ronaldo Fenômeno na derrota por 3 a 0 para a França; a “Tragédia do Sarriá” em 1982, quando o encantador futebol-arte de Zico e Sócrates sucumbiu diante da Itália de Paolo Rossi; e a precoce eliminação na primeira fase em 1966, que frustrou o favoritismo de uma base bicampeã mundial que contava com Pelé e Garrincha.

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