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O Hamas anunciou a dissolução do órgão administrativo que governava a Faixa de Gaza há quase duas décadas. A saída da estrutura política, sacramentada com a renúncia do chefe de governo Mohammed al-Farra, visa abrir caminho para que um comitê tecnocrático assuma a gestão civil. De acordo com o escritório de mídia do grupo, a medida busca mitigar o sofrimento da população civil decorrente do cerco, do atraso na reconstrução e da permanência do Exército israelense.

A governança do enclave deve ser transferida definitivamente para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG). Criado no Cairo pelo Conselho de Paz — órgão instituído pelo governo dos Estados Unidos —, o comitê visa eliminar pretextos para a interferência de Israel. Para evitar um vácuo administrativo, apenas funcionários técnicos permanecerão temporariamente em suas funções.

Apesar do movimento político, o cenário em solo permanece sob forte tensão. No mesmo dia do anúncio, ataques israelenses deixaram cinco palestinos mortos e 18 feridos em Gaza. As hostilidades persistem mesmo sob o acordo de cessar-fogo firmado em 10 de outubro de 2025, cuja contagem oficial de vítimas já soma 1.072 mortos desde a trégua. No total do conflito iniciado em 2023, o número de mortos na região atinge 73.098.

Analistas políticos apontam que a dissolução do comitê possui forte caráter simbólico, mas esbarra no principal ponto de bloqueio diplomático: o desarmamento. O Conselho de Paz dos EUA defende a consolidação de todas as armas sob o controle exclusivo do NCAG. No entanto, enquanto o Hamas resiste em abrir mão de seu arsenal, a transição para a segunda fase do plano de paz, que prevê a retirada das tropas israelenses, segue estagnada.

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