
O lenacapavir, antirretroviral injetável aplicado duas vezes por ano para a prevenção do HIV, manteve eficácia próxima de 100% após mais de um ano de acompanhamento adicional de participantes de estudos clínicos. Os novos dados, divulgados nesta terça-feira (21), serão apresentados durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS, que ocorre entre 26 e 31 de julho, no Rio de Janeiro.
Os resultados correspondem às novas fases dos estudos PURPOSE 1 e PURPOSE 2, que acompanharam voluntários que decidiram iniciar ou continuar o tratamento após a etapa inicial das pesquisas, já cientes de que recebiam lenacapavir.
No PURPOSE 1, realizado com mulheres cisgênero, 95% das participantes elegíveis optaram por continuar ou iniciar as aplicações. Durante as primeiras 52 semanas dessa etapa, não houve nenhuma nova infecção entre as voluntárias que receberam o medicamento. A adesão às injeções chegou a 96%.
O PURPOSE 2 incluiu homens cisgênero, homens trans, mulheres trans e pessoas não binárias, incluindo participantes recrutados no Brasil. Cerca de 95% dos elegíveis optaram pelo tratamento. Nessa fase, foi registrada uma nova infecção em uma pessoa que havia recebido todas as aplicações dentro do prazo previsto. Os pesquisadores analisam agora os níveis do medicamento no organismo para investigar o caso.
Desde o início do estudo, foram registrados quatro casos de HIV entre 3.004 participantes que receberam lenacapavir. A incidência, considerada muito baixa, mantém a avaliação de alta eficácia do medicamento na prevenção do vírus.
Além da versão injetável, outros estudos testaram uma formulação em comprimido semanal, combinada ao islatravir. Os ensaios ISLEND-1 e ISLEND-2 reuniram mais de 1.200 participantes e avaliaram uma alternativa de tratamento para pessoas que vivem com HIV. O regime semanal apresentou desempenho equivalente ao de terapias diárias, sem novos problemas de segurança.
No Brasil, o lenacapavir foi aprovado pela Anvisa em janeiro, mas ainda não há previsão de chegada ao SUS. A fabricante precisa concluir a definição do preço máximo de venda junto à CMED antes que o medicamento possa ser submetido à análise da Conitec. A comissão avaliará eficácia, segurança e custo-efetividade. No exterior, o tratamento supera US$ 25 mil por pessoa ao ano.
Enquanto isso, a Fiocruz coordena o estudo ImPrEP LEN Brasil, que avalia a implementação do medicamento na rotina dos serviços de saúde. A pesquisa ocorre em sete cidades e pretende incluir 1.500 participantes. Liderado pela médica Beatriz Grinsztejn, o projeto acompanha pessoas que buscam espontaneamente proteção contra o HIV, permitindo avaliar a adesão e os desafios da aplicação semestral em condições reais de atendimento.