
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (18) que pretende reajustar novamente as tarifas do metrô e dos trens metropolitanos em 2026, seguindo a inflação, repetindo a política adotada nos dois primeiros anos de seu mandato. A declaração reacendeu críticas sobre o distanciamento entre o discurso de campanha e a prática adotada na política tarifária do transporte público paulista.
Desde que assumiu o governo, Tarcísio promoveu reajustes consecutivos nas tarifas do sistema metroferroviário, em um contexto de pressão inflacionária e de perda de renda das famílias. Com o novo sinal dado para 2026, usuários passam a conviver com a perspectiva de três aumentos seguidos no transporte público durante uma mesma gestão.
Promessas de campanha e mudança de discurso
Durante a campanha eleitoral, Tarcísio prometeu melhorar a eficiência do transporte público, ampliar investimentos e buscar soluções que reduzissem o peso da tarifa no orçamento dos usuários. Em diversas ocasiões, o então candidato afirmou que a modernização da gestão e as parcerias com o setor privado permitiriam equilibrar as contas sem transferir custos de forma recorrente para a população.
Na prática, porém, a política adotada pelo governo estadual manteve a tarifa como principal instrumento de ajuste financeiro do sistema, com correções anuais que acompanham a inflação, independentemente da qualidade do serviço, do nível de renda dos usuários ou da ampliação de subsídios públicos.
Aumento recorrente e impacto social
A sinalização de novo reajuste ocorre em um cenário de salários pressionados, desemprego elevado em algumas regiões metropolitanas e aumento do custo de vida, fatores que tornam o transporte público um dos principais gastos fixos das famílias que dependem diariamente do metrô e dos trens.
Especialistas em mobilidade urbana apontam que a adoção automática de reajustes inflacionários transfere o ônus do financiamento do sistema para os usuários, sem um debate mais amplo sobre fontes alternativas de custeio, como subsídios progressivos ou políticas de tarifa social mais abrangentes.
Contradições na política de mobilidade
A gestão Tarcísio tem destacado investimentos em concessões e parcerias com a iniciativa privada como solução estrutural para o transporte público. Críticos, no entanto, apontam que a política de reajustes sucessivos convive com atrasos em obras, problemas operacionais e episódios recorrentes de falhas no sistema, o que fragiliza o argumento de que os aumentos seriam compensados por melhorias percebidas pelos usuários.
Além disso, a sinalização de aumento para 2026 ocorre às vésperas do ciclo eleitoral, o que reforça a leitura de que a política tarifária tem sido tratada como variável técnica, sem diálogo consistente com os impactos sociais e políticos da medida.
Debate público e cobrança por alternativas
A declaração do governador reabriu o debate sobre o modelo de financiamento do transporte público em São Paulo. Movimentos sociais, sindicatos e entidades de defesa do direito à cidade defendem que o Estado amplie o volume de subsídios e avance em políticas que reduzam o peso da tarifa, em vez de normalizar aumentos anuais como solução padrão.
Para esses grupos, a repetição de reajustes contraria o discurso de campanha de modernização e eficiência e reforça a percepção de que o governo optou por equilibrar o sistema às custas do usuário, sem enfrentar de forma estrutural o desafio da mobilidade urbana.