
Na última terça-feira (30), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que não há nenhuma evidência de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) tenha responsabilidade sobre os casos de intoxicação por metanol, em divergência da análise feita pelo governo federal, que investiga envolvimento da facção.
Em operações recentes sobre distribuidoras de combustíveis ligadas ao crime organizado, a Polícia Federal (PF) constatou a importação irregular de metanol pelo PCC, no Porto de Paranaguá, no Paraná.
Apenas no Estado de São Paulo foram 22 casos de contaminação, dentre eles, 1 morte confirmada e 4 mortes sob investigação por adulteração de bebidas. “Tem esse negócio em São Paulo, tudo que acontece é o PCC. Muito tem se especulado sobre a participação do crime organizado. Só para deixar claro, não há evidência nenhuma de que haja crime organizado nisso”, declarou Tarcísio durante coletiva de imprensa.
Segundo o Diretor Geral da PF, Andrei Rodrigues, há a possibilidade de o metanol importado ter sido usado para a adulteração de bebidas alcoólicas, relacionando os dois casos. “A investigação dirá se há conexão com o crime organizado”, afirmou Andrei.
Para o governador, a responsabilidade seria de grupos ligados a destilarias clandestinas: “os inquéritos apontam que as pessoas que trabalham nessas destilarias não têm relação com o crime organizado nem entre si. São pessoas que fraudam rotineiramente bebidas e, como temos falado, é um problema estrutural”.
Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde investiga três casos de suspeita de intoxicação por metanol. Após ingestão de bebidas dois pacientes morreram e um perdeu a visão.
A disputa de narrativas já havia ocorrido em um passado recente do mês de agosto, quando representantes dos governos Lula e Tarcísio foram a público falar sobre as operações contra o crime organizado na Faria Lima, capital financeira do país.
Na ocasião, o Ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Ricardo Lewandowski, enaltecendo a postura do governo federal frente à situação, enquanto que em São Paulo o Secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, defendeu a ofensiva paulista.