IA
Ben Affleck em ‘Ameaça Invisível’ – Foto: Divulgação

A Netflix anunciou na quinta-feira (5) a aquisição da InterPositive, empresa de tecnologia para cinema fundada pelo ator e diretor Ben Affleck em parceria com profissionais de pós-produção e engenharia audiovisual. A startup desenvolve ferramentas de inteligência artificial (IA) voltadas para processos técnicos da produção de filmes e séries. O valor da transação não foi divulgado.

A InterPositive foi criada com a proposta de aplicar modelos de IA em etapas específicas da produção cinematográfica, especialmente em situações que exigem reconstrução técnica de cenas. Entre os usos apontados estão a recomposição de planos que não foram gravados, ajustes de continuidade entre takes, correções de iluminação e enquadramento e integração entre imagens captadas em momentos diferentes da filmagem.

Segundo informações divulgadas pela empresa e repercutidas pela imprensa internacional, a tecnologia não foi projetada para substituir atores ou roteiristas. O foco está em automatizar tarefas técnicas que normalmente exigem refilmagens, processos complexos de edição ou longas etapas de pós-produção.

Com a aquisição, a equipe da InterPositive passa a integrar a estrutura tecnológica da Netflix. Ben Affleck continuará vinculado ao projeto como consultor e colaborador no desenvolvimento das ferramentas dentro da plataforma.

IA e produção audiovisual

A operação ocorre em um momento de reorganização da indústria do entretenimento diante do avanço da inteligência artificial. Em 2023 e 2024, o tema esteve no centro das greves de roteiristas e atores em Hollywood, que reivindicaram limites para o uso de IA em roteiros, imagens e performances digitais.

Desde então, estúdios e plataformas de streaming passaram a buscar modelos de aplicação da tecnologia voltados principalmente à eficiência de produção. Ferramentas capazes de reconstruir cenários, corrigir continuidade ou completar material visual são vistas como uma forma de reduzir custos e tempo de filmagem.

No caso da InterPositive, os desenvolvedores afirmam que os modelos foram treinados com dados voltados a processos técnicos da cinematografia, como composição de imagem e lógica de montagem, evitando o uso direto de performances humanas ou roteiros protegidos por direitos autorais.

Disputa tecnológica no streaming

A compra da startup também reflete uma mudança estratégica no setor de streaming. Além da disputa por catálogo e direitos de exibição, plataformas passaram a investir em infraestrutura tecnológica própria para produção de conteúdo.

Para a Netflix, a incorporação de ferramentas de IA pode permitir maior controle sobre etapas da produção e da pós-produção, além de acelerar o desenvolvimento de projetos originais.

O movimento ocorre em um momento em que empresas de tecnologia e entretenimento buscam integrar inteligência artificial diretamente aos fluxos criativos da indústria audiovisual, em uma tentativa de aumentar escala de produção sem ampliar proporcionalmente os custos de filmagem.

A aquisição da InterPositive indica que essa disputa tende a migrar cada vez mais do catálogo de filmes para o domínio das tecnologias que moldam a própria criação das obras.

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