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Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, assumindo o comando de um dos colegiados responsáveis por discutir políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero, igualdade de direitos e proteção às mulheres no país.

A eleição ocorreu nesta quarta-feira (11), em Brasília, durante reunião da comissão. A presidência do colegiado coube à federação PSOL-Rede, dentro do acordo de divisão de comissões entre partidos e blocos da Câmara.

Com a eleição, Erika Hilton passa a conduzir os trabalhos legislativos de análise de projetos e debates relacionados à proteção das mulheres brasileiras, incluindo políticas de combate ao feminicídio, igualdade salarial, acesso à saúde e implementação de leis como a Lei Maria da Penha.

Disputas políticas marcaram a sessão

A sessão que confirmou a eleição foi marcada por protestos e manifestações de parlamentares conservadores, que contestaram a escolha da deputada para comandar a comissão.

O clima de tensão reflete o cenário de disputas recentes na Câmara envolvendo pautas ligadas a direitos reprodutivos, violência de gênero e igualdade de direitos para mulheres. Nos últimos meses, projetos defendidos por setores da direita, criticados por movimentos feministas, ampliaram o embate político em torno da agenda de direitos das mulheres.

Além disso, a eleição ganhou repercussão política por envolver a liderança de uma mulher trans em um dos principais colegiados dedicados às políticas para mulheres no Congresso.

“Minha gestão tratará de todas as mulheres”

Após assumir a presidência da comissão, Erika Hilton afirmou que pretende conduzir o colegiado com foco na defesa de políticas públicas de proteção e igualdade.

Em publicação nas redes sociais, a deputada afirmou que assumiu o cargo em meio a protestos de grupos conservadores.

“Hoje, sob protestos dos LGBTfóbicos e dos defensores do PL do Estupro, do PDL da Pedofilia e dos red pills, assumi a presidência da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados”, escreveu.

Hilton afirmou que a presidência do colegiado representa uma responsabilidade diante do cenário de violência de gênero no país.

“Assumir essa presidência é uma responsabilidade gigantesca. Assumi-la demonstra a gravidade da situação em que nosso país se encontra. Estamos em uma onda de feminicídios, a misoginia não para de crescer.”

A deputada também afirmou que pretende conduzir os trabalhos da comissão com foco na defesa ampla dos direitos das mulheres.

“Que essa gente saiba que seus gritos não nos calarão. Muito pelo contrário. Nos dará forças para lutarmos por todas as mulheres e meninas deste país, sem excluir nenhuma, inclusive as mulheres trans.”

Papel da comissão

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é responsável por analisar projetos de lei e acompanhar políticas públicas relacionadas à proteção das mulheres, combate à violência doméstica e promoção da igualdade de direitos.

Entre os temas debatidos no colegiado estão prevenção ao feminicídio, enfrentamento à violência doméstica, políticas de saúde da mulher e iniciativas de igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.

Com a eleição de Erika Hilton, a comissão passa a ser presidida por uma das parlamentares mais atuantes em pautas de direitos humanos e igualdade de gênero no Congresso Nacional.

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