
Um estudo conduzido no Canadá reacendeu o debate sobre os impactos das drogas legais e ilegais na saúde pública. Publicado no Journal of Psychopharmacology, o levantamento comparou 16 substâncias — entre elas álcool, tabaco, opioides e cannabis — e concluiu que o álcool é, de longe, a mais prejudicial no conjunto dos danos avaliados. A maconha, por sua vez, aparece como a menos nociva do ranking, resultado que reforça conclusões de pesquisas anteriores realizadas no Reino Unido e na Austrália.
A análise utilizou a metodologia MCDA (análise de decisão multicritério), que considera tanto os efeitos diretos sobre o usuário quanto os impactos sociais. Vinte especialistas de diversas províncias canadenses avaliaram cada substância em 16 dimensões de dano, incluindo dependência, riscos físicos, custos sociais, violência e sobrecarga dos sistemas de saúde. Cada critério recebeu pontuação de 0 a 100, ponderada por relevância.
O álcool obteve 79 pontos, liderando a lista de forma isolada. Em seguida aparecem o tabaco (45) e os opioides não prescritos (33). A cannabis registrou apenas 15 pontos, ficando atrás inclusive de drogas como cocaína e metanfetamina. Segundo os pesquisadores, o alto impacto do álcool está ligado não apenas aos efeitos fisiológicos, mas também à ampla aceitação social e ao consumo elevado, fatores que ampliam danos indiretos como acidentes, violência doméstica e perda de produtividade.
Os autores alertam, porém, que os resultados não devem ser interpretados como incentivo ao uso de qualquer substância. Para eles, a discrepância entre o alto dano do álcool e sua regulação permissiva indica a necessidade de políticas públicas mais alinhadas às evidências científicas.