Os EUA e o Irã podem iniciar, nos próximos dias, um novo capítulo nas tentativas de encerrar o conflito no Oriente Médio. Segundo o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, os dois países devem se reunir em Islamabad, capital paquistanesa, na sexta-feira (10), em uma rodada de negociações de paz. Até o momento, no entanto, nem Washington nem Teerã confirmaram oficialmente a participação no encontro.
A iniciativa ocorre após o anúncio de um cessar-fogo temporário entre as duas nações, mediado pelo Paquistão. A trégua, com duração inicial de duas semanas, foi divulgada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e teria sido aceita pelo Irã como parte de um plano mais amplo de desescalada do conflito. Sharif destacou que a proposta paquistanesa busca “trabalhar em conjunto pelo retorno da paz à região”, sinalizando o protagonismo diplomático do país asiático.
Apesar do acordo, o cenário no Oriente Médio segue instável. Autoridades iranianas informaram que instalações da refinaria localizada na ilha de Lavan foram atingidas por ataques na manhã desta quarta-feira (8), no horário local. Embora não haja registro de vítimas, imagens divulgadas nas redes sociais mostram colunas de fumaça na região, indicando danos à infraestrutura.
A tensão também se estendeu ao Kuwait, que relatou a interceptação de 28 drones iranianos ao longo do dia. Segundo o Ministério da Defesa do país, parte dos dispositivos foi abatida antes de atingir o território, mas alguns conseguiram ultrapassar o sistema de defesa, provocando danos materiais em usinas de energia e instalações de dessalinização de água no sul do país.
Paralelamente, o conflito regional continua a se expandir. No Líbano, ataques israelenses seguem em curso desde o início de março. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que, embora haja disposição para interromper ações contra o Irã, a ofensiva em território libanês será mantida.
Nesse contexto, a possível reunião em Islamabad surge como uma tentativa de consolidar a trégua e avançar em direção a um acordo mais duradouro. Ainda assim, a ausência de confirmação oficial por parte dos principais envolvidos e a continuidade de ataques na região evidenciam a fragilidade do atual cessar-fogo e os desafios para uma solução diplomática efetiva.