bets
Joédson Alves/Agência Brasil

O Brasil registrou uma “explosão” no número de pessoas que pediram autoexclusão de plataformas de apostas online durante a Copa do Mundo. Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, obtidos pela BBC News Brasil, apontam crescimento de 588% no número médio diário de pedidos nas primeiras duas semanas da competição, em comparação com o período equivalente de maio.

Entre 15 e 28 de junho, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão recebeu 250.129 pedidos de bloqueio ou prorrogação, média de 17.866 solicitações por dia. No intervalo de 11 a 25 de maio, foram 38.907 pedidos em 15 dias, média de 2.594 por dia. A diferença ocorre mesmo com o recorte de junho tendo um dia a menos. A intensa publicidade das plataformas durante o evento contribuiu para a maior exposição do público às apostas.

O perfil dos motivos mudou significativamente. Antes da Copa, a principal razão era perda de controle sobre o jogo (43,56%). Durante o torneio, a prevenção contra uso irregular de dados pessoais pelas empresas de bets assumiu a liderança (29,5%), seguida por perda de controle (24,13%) e decisão voluntária (18,93%). A mudança sugere que parte dos pedidos partiu de usuários que ainda não apresentavam compulsão, mas decidiram se proteger preventivamente.

A maioria optou por bloqueio sem prazo: 63,53% durante a Copa, contra 62,13% anteriormente. A plataforma, lançada em dezembro de 2025, permite bloquear com um único comando o acesso a todas as bets autorizadas pelo governo federal.

Para entidades do setor, como ANJL e IBJR, o crescimento reflete maior divulgação da ferramenta e uso preventivo, não necessariamente aumento de casos de jogo compulsivo. A SPA atribui o fenômeno à combinação de maior exposição durante o torneio, divulgação da plataforma e crescente conscientização sobre riscos financeiros e emocionais.

Veja também