Ratinho
Reprodução

O apresentador Ratinho, de 70 anos, voltou a criar polêmica ao atacar o ator Wagner Moura durante o “Programa do Ratinho”, exibido pelo SBT, na segunda-feira (16). Ao comentar entrevistas concedidas por Moura nos Estados Unidos, o apresentador reagiu com críticas diretas e afirmou ao vivo: “Cala a tua boca, porra. O que é isso? Fala outra coisa”.

A fala ocorre no contexto da participação de Wagner Moura no programa Jimmy Kimmel Live!, da emissora ABC, durante a temporada do Oscar 2026. Na entrevista, o ator chamou o ex-presidente Jair Bolsonaro de “Trump brasileiro” e o associou a posições antidemocráticas. Em tom irônico, afirmou ainda que poderia “agradecer” Bolsonaro caso vencesse o prêmio, já que o filme em que atua se passa no período da ditadura militar. As declarações repercutiram internacionalmente e motivaram a resposta do apresentador no Brasil.

No programa, Ratinho iniciou mencionando a trajetória de Moura no cinema e na televisão, mas rapidamente alterou o tom. Disse que o ator deveria “esquecer Bolsonaro” e evitar manifestações políticas, alegando que “não é hora” para esse tipo de posicionamento. Também citou o estado de saúde do ex-presidente ao criticar o fato de as declarações terem sido feitas no exterior. A sequência de falas foi interpretada por críticos como tentativa de deslegitimar a atuação política de artistas e restringir o debate público fora do campo institucional.

Sequência de episódios e reação institucional

O episódio ocorre poucos dias após Ratinho se envolver em outra controvérsia, desta vez com a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Durante o programa, o apresentador afirmou que a parlamentar “não é mulher, é trans”, declaração que gerou reação de organizações, parlamentares e parte da opinião pública.

Erika Hilton ingressou com ação judicial pedindo indenização de R$ 10 milhões, além de medidas contra a exibição do programa. O SBT divulgou nota pública afirmando que “repudia qualquer tipo de discriminação”, em resposta à repercussão do caso.

Após as críticas, Ratinho se manifestou nas redes sociais, afirmando que suas falas se enquadram como “crítica política” e que não pretende “ficar em silêncio”.

TV aberta, concessão pública e limites do discurso

A repetição de episódios em curto intervalo ampliou o debate sobre os limites da atuação de apresentadores em televisão aberta. No Brasil, emissoras operam sob concessão pública e estão submetidas a princípios constitucionais, o que inclui a observância de direitos fundamentais e a vedação a conteúdos discriminatórios.

Embora haja garantia de liberdade de expressão no Brasil, a difusão de ataques pessoais e a desqualificação de grupos sociais podem configurar violação desses princípios, especialmente quando veiculadas em canais de grande alcance.

Nesse contexto, a atuação de apresentadores com audiência nacional passa a ser observada também sob o impacto que suas falas produzem no ambiente político e social. A sequência envolvendo Wagner Moura e Erika Hilton evidencia a intensificação de conflitos políticos dentro de programas de entretenimento, em um cenário de polarização e amplificação de discursos nas redes e na televisão.

Veja também