Donald Trump
Donald Trump. Foto: Win McNamee/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta terça-feira (19) ao afirmar que o país poderá sofrer um “grande ataque” caso não aceite rapidamente um acordo com Washington. A declaração foi feita em meio ao impasse nas negociações de paz envolvendo o conflito no Oriente Médio e elevou novamente a tensão internacional após semanas de cessar-fogo instável.

Segundo a Reuters, Trump afirmou que esteve “a uma hora” de autorizar novos bombardeios contra o Irã, mas decidiu suspender a operação após a apresentação de uma nova proposta iraniana mediada pelo Paquistão. Ainda assim, o presidente americano declarou que os ataques poderão ser retomados “em poucos dias” caso as negociações fracassem.

“Se não houver acordo, haverá um grande ataque”, afirmou Trump, segundo o jornal The Guardian, que destacou o endurecimento do discurso americano mesmo após sinais de avanço diplomático.

Irã reage e ameaça abrir “novas frentes”

As declarações de Trump provocaram reação imediata de autoridades iranianas. Segundo atualização do Guardian, porta-vozes militares do Irã afirmaram que o país poderá “abrir novas frentes” contra interesses americanos caso Washington retome ataques militares.

O governo iraniano insiste que não aceitará abandonar totalmente seu programa nuclear nem abrir mão do controle estratégico sobre o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado globalmente.

Segundo Reuters e Fox News, a proposta apresentada por Teerã inclui retirada gradual de tropas americanas da região, suspensão de sanções econômicas, reparações pelos danos da guerra e garantias de não agressão futura. O governo Trump considera as exigências “inaceitáveis”.

Ao mesmo tempo, autoridades militares iranianas afirmaram que forças do país permanecem em “estado máximo de prontidão” e preparadas para responder rapidamente a qualquer ofensiva americana ou israelense.

Mercados seguem sob pressão

A escalada verbal voltou a gerar instabilidade nos mercados internacionais. O preço do petróleo continua pressionado pela incerteza em torno do Estreito de Ormuz e pela possibilidade de retomada do conflito em larga escala.

Segundo análise da Reuters, investidores seguem tratando o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã como extremamente frágil. O barril do petróleo Brent permanece acima dos US$ 110, enquanto governos europeus e asiáticos monitoram risco de impactos inflacionários globais.

O conflito também vem produzindo pressão política interna sobre Trump. Pesquisas divulgadas por veículos americanos apontam preocupação crescente da população dos EUA com preços de combustíveis e possibilidade de envolvimento militar prolongado no Oriente Médio às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato.

Guerra já dura meses

O atual conflito entre EUA, Israel e Irã se intensificou em fevereiro de 2026 após bombardeios americanos e israelenses contra instalações nucleares iranianas. Desde então, ataques com drones, mísseis e confrontos indiretos envolvendo milícias apoiadas por Teerã passaram a atingir diferentes países do Golfo.

Segundo Reuters, milhares de pessoas já morreram desde o início da escalada militar, especialmente no Irã e no Líbano. Apesar do cessar-fogo anunciado em abril, episódios de tensão continuam ocorrendo regularmente na região.

Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que as negociações seguem travadas porque Trump busca uma vitória política ampla sobre o programa nuclear iraniano, enquanto Teerã tenta evitar uma rendição considerada humilhante internamente.

Nos bastidores diplomáticos, países do Golfo como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos pressionam pela manutenção das negociações para evitar nova explosão militar regional.

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