Flávio
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) confirmou nesta terça-feira (26) que esteve reunido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em um dos movimentos internacionais mais relevantes do bolsonarismo desde a derrota eleitoral de 2022. A agenda ocorre justamente no momento em que o núcleo político da família Bolsonaro enfrenta escalada de pressão judicial no Brasil, aprofundamento do escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e desgaste crescente da pré-candidatura presidencial de Flávio para 2026.

Segundo relatos publicados por veículos brasileiros e correspondentes internacionais em Washington, Flávio afirmou ter tratado com Trump temas relacionados à liberdade de expressão, decisões do Judiciário brasileiro e o cenário político no Brasil. O senador também indicou que apresentou ao presidente americano críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente às decisões do ministro Alexandre de Moraes envolvendo aliados do bolsonarismo.

A viagem ocorre poucas horas após Moraes solicitar que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie a inclusão de Flávio e do ex-presidente Jair Bolsonaro em investigação relacionada ao caso “Dark Horse”, filme inspirado na trajetória política de Bolsonaro e financiado parcialmente por Daniel Vorcaro.

Encontro reforça aproximação entre trumpismo e bolsonarismo

A reunião marca uma retomada explícita da aproximação política entre Donald Trump e o núcleo bolsonarista após o retorno do republicano à Casa Branca.

Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), os dois líderes mantiveram forte alinhamento ideológico e diplomático, especialmente em pautas ligadas ao conservadorismo, segurança pública, nacionalismo econômico, críticas à esquerda e ataques a instituições multilaterais.

Depois da derrota eleitoral de Bolsonaro em 2022, integrantes do PL passaram a reforçar conexões com setores republicanos americanos ligados ao trumpismo, incluindo think tanks conservadores, parlamentares da direita americana, estrategistas eleitorais e influenciadores alinhados ao movimento MAGA (“Make America Great Again”).

Nos últimos meses, essa articulação ganhou intensidade à medida que avançaram as investigações sobre tentativa de golpe de Estado no Brasil e cresceram os conflitos entre o bolsonarismo e o STF.

Aliados de Bolsonaro passaram a defender publicamente sanções internacionais contra ministros da Suprema Corte brasileira, restrições de vistos e pressão diplomática externa sobre autoridades do Judiciário brasileiro — elementos que agora também aparecem citados nas investigações conduzidas por Alexandre de Moraes.

Caso “Dark Horse” se torna epicentro da crise

O encontro na Casa Branca ocorre no auge da crise provocada pelo caso “Dark Horse”, produção cinematográfica inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.

Nas últimas semanas, o Intercept Brasil divulgou áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro cobrando Daniel Vorcaro sobre aportes milionários para o projeto. Segundo os diálogos revelados, o filme teria previsão inicial de investimento de até R$ 134 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos antes da prisão do banqueiro na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

Depois da divulgação dos áudios, Flávio admitiu publicamente ter visitado Vorcaro após a prisão do empresário, quando ele já utilizava tornozeleira eletrônica. O senador afirmou que o encontro ocorreu para “encerrar o contrato” relacionado à produção.

Agora, investigadores do STF passaram a analisar se parte dos recursos destinados ao filme teria sido usada para financiar articulações internacionais do bolsonarismo nos Estados Unidos, incluindo ações de lobby, campanhas políticas externas e tentativas de pressão contra autoridades brasileiras.

No despacho enviado à PGR, Moraes menciona suspeitas de lavagem de dinheiro, propaganda eleitoral antecipada, financiamento político irregular, caixa paralelo e até “atentado à soberania nacional”.

Estratégia internacional busca conter desgaste político

Nos bastidores de Brasília, a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos é interpretada como tentativa de reconstruir força política diante do desgaste crescente provocado pelo caso Vorcaro.

Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram queda gradual do senador em cenários eleitorais para 2026. Levantamento BTG/Nexus indicou aumento da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio em um eventual segundo turno, além de crescimento da rejeição ao senador entre setores moderados do eleitorado.

A avaliação dentro do PL é de que imagens de Flávio ao lado de Trump podem ajudar a mobilizar novamente a base bolsonarista mais radicalizada e reforçar a narrativa de perseguição política adotada pelo grupo desde as investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro.

Ao mesmo tempo, dirigentes partidários reconhecem reservadamente que o caso “Dark Horse” produziu impacto relevante sobre a viabilidade eleitoral do senador, principalmente após a associação pública entre o núcleo bolsonarista e Daniel Vorcaro, personagem central de uma das maiores investigações financeiras recentes do país.

STF vê internacionalização do conflito como novo foco de preocupação

Nos bastidores do STF, ministros passaram a acompanhar com preocupação crescente a tentativa de internacionalização do conflito político conduzida por setores do bolsonarismo.

A avaliação de integrantes da Corte é que aliados de Bolsonaro passaram a utilizar conexões internacionais, especialmente nos Estados Unidos, como instrumento de pressão política contra decisões judiciais brasileiras.

Essa movimentação ganhou força após a volta de Trump à Presidência americana e passou a envolver contatos com parlamentares republicanos, grupos conservadores e estruturas de lobby ligadas à direita americana.

A reunião de Flávio Bolsonaro com Trump amplia ainda mais essa tensão institucional justamente no momento em que o núcleo central da família Bolsonaro enfrenta novas frentes de investigação envolvendo financiamento político, relações empresariais e articulações internacionais.

Enquanto isso, o caso “Dark Horse” segue se expandindo e já atravessa investigações financeiras, suspeitas de propaganda eleitoral antecipada, lobby internacional, pressão contra autoridades brasileiras e conexões políticas que agora alcançam diretamente Washington.

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