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O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu nesta segunda-feira (6) a criação de mecanismos globais de governança para a inteligência artificial, afirmando que a velocidade de evolução da tecnologia já supera a capacidade de resposta de governos, empresas e até dos próprios desenvolvedores.

A declaração foi feita durante a abertura do primeiro Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial, realizado em Genebra, na Suíça. Segundo Guterres, o potencial transformador da IA exige uma estrutura regulatória capaz de reduzir riscos e garantir que seu desenvolvimento ocorra de forma responsável.

“Uma tecnologia capaz de remodelar economias, transformar o mundo do trabalho, influenciar eleições e alterar o equilíbrio da segurança está sendo implementada mais rapidamente do que qualquer pessoa, incluindo aqueles que a desenvolvem, consegue acompanhar”, afirmou o secretário-geral. Para ele, a regulamentação é condição indispensável para que a inteligência artificial seja utilizada de forma segura, sobretudo em áreas sensíveis e na proteção de crianças.

O encontro, que prossegue até terça-feira (7), reúne representantes de governos, especialistas e organismos internacionais para discutir estratégias de cooperação e princípios para uma governança internacional da IA. A iniciativa não tem como objetivo negociar um tratado global neste momento, mas promover consenso sobre formas de mitigar os riscos associados à tecnologia e ampliar seus benefícios para a sociedade.

Durante o evento, será apresentado um relatório produzido por um painel científico independente apoiado pela ONU, composto por 40 especialistas de diferentes áreas. O documento reúne as conclusões da primeira avaliação científica global e independente sobre inteligência artificial, oferecendo subsídios para futuras decisões sobre o tema.

A expectativa da organização é publicar uma versão ampliada desse estudo em 2027. A ONU também pretende realizar uma segunda edição do diálogo internacional no próximo ano, em Nova York, dando continuidade às discussões sobre a construção de um modelo global de governança para a inteligência artificial.

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