
O Brasil abriu 5,1 milhões de novas empresas em 2025, crescimento de 18,6% em relação ao ano anterior, segundo a Receita Federal. O recorde vem acompanhado de uma fiscalização cada vez mais sofisticada: o fisco aprimora o uso de inteligência artificial para cruzar dados em tempo real, tornando mais difícil que inconsistências passem despercebidas.
A ferramenta central desse processo é o Projeto Analytics, plataforma desenvolvida internamente pela Receita que combina algoritmos de IA e análise de redes complexas para identificar padrões atípicos em operações como importações, compensações tributárias e movimentações com criptoativos. Os resultados já são concretos: R$ 11 bilhões em operações suspeitas identificadas em todo o país.
“A Receita Federal já opera com inteligência artificial para seleção e priorização de fiscalizações”, explica Daniele Ishida, diretora de Tax da consultoria Apter. Ela ressalta, porém, que a tecnologia também tem caráter orientativo. “O sistema facilita a comunicação com os contribuintes e estimula a autorregularização antes de medidas coercitivas”, afirma. E faz uma ressalva importante: “A IA não decide, apenas apoia.”
Nesse cenário, o prazo da Escrituração Contábil Fiscal (ECF), obrigação das empresas que apuram o Imposto de Renda, exige atenção redobrada. A obrigação deixa de ser uma tarefa pontual e passa a demandar acompanhamento contínuo, com conciliações consistentes e documentação adequada para reduzir riscos e evitar penalidades.