Antonio Augusto/Secom/TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, apresentou nesta terça-feira (14) uma proposta para criar um “selo de acurácia” destinado aos institutos de pesquisa que demonstrarem maior precisão nos resultados eleitorais. A iniciativa foi discutida em reunião com representantes de 19 empresas do setor e ainda está em fase preliminar.

Pela minuta de portaria, o selo seria concedido após o segundo turno das eleições, com base apenas nas pesquisas divulgadas nos sete dias que antecedem o pleito e nas pesquisas de boca de urna. Institutos condenados por irregularidades graves ficariam impedidos de receber a certificação.

A principal preocupação manifestada pelos participantes foi justamente o recorte temporal adotado para a avaliação. Para Lucas Thut Sahd, diretor-executivo da Real Time Big Data, pesquisas retratam o cenário de um momento específico e, por isso, levantamentos realizados mais próximos da votação tendem naturalmente a apresentar maior precisão. Segundo ele, esse fator precisa ser considerado caso a proposta avance.

Yuri Sanches, diretor de Análise Política da Atlas Intel, ressaltou que a iniciativa foi apresentada como uma minuta aberta ao debate, sem caráter definitivo. Segundo ele, os ministros presentes enfatizaram que o TSE não pretende estabelecer quais metodologias de pesquisa são corretas ou incorretas, nem criar um sistema de classificação metodológica entre os institutos.

A reunião ocorre semanas após Nunes Marques determinar a suspensão de uma pesquisa da Atlas Intel por suspeita de induzimento do eleitor. O julgamento foi interrompido por pedido de vista da ministra Estela Aranha e deverá estabelecer um precedente para casos semelhantes em todo o país. Apesar disso, os participantes afirmaram que o encontro não avançou na discussão dos aspectos metodológicos que motivaram a suspensão da pesquisa.

Representantes de institutos como Atlas Intel, Real Time Big Data, Datafolha e Genial/Quaest participaram da reunião, ao lado de ministros do TSE e do procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa. Segundo os participantes, Nunes Marques afirmou que levará em consideração as contribuições apresentadas antes de decidir os próximos passos da proposta.

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