
O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), abriu uma possibilidade de distensão na relação entre o governo e o comando da Casa justamente quando o Congresso se prepara para duas semanas de esforço concentrado. Após quase três meses sem diálogo, os dois se reuniram em um jantar na semana passada e podem voltar a conversar nesta segunda-feira (10), em Brasília.
O reencontro ocorre em um momento decisivo para uma agenda parlamentar extensa. Com as eleições se aproximando, Câmara e Senado reservaram duas janelas de votação — uma nesta semana e outra entre 31 de agosto e 3 de setembro — para tentar avançar em projetos antes da redução do quórum provocada pela campanha eleitoral.
Entre as prioridades do governo está a PEC que prevê o fim da escala 6×1, apresentada como uma das principais bandeiras de Lula para a campanha de reeleição. Apesar da expectativa do Palácio do Planalto, aliados de Alcolumbre não indicaram até o momento que o texto esteja entre as prioridades do presidente do Senado nos próximos dias. Lula, entretanto, reforçou publicamente a pauta ao defender, no Dia dos Pais, que trabalhadores tenham mais tempo para conviver com os filhos.
Em outra frente, Alcolumbre sinalizou disposição para avançar com o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, aprovado pela Câmara em maio e desde então parado no Senado. A proposta pretende estimular pesquisa, investimentos e industrialização de recursos como lítio, níquel, nióbio e terras raras, reduzindo a dependência da exportação de matérias-primas.
O tema ganhou importância geopolítica diante da disputa internacional por minerais estratégicos e das negociações entre Brasil e Estados Unidos em torno do fornecimento desses recursos.
A pauta do Congresso inclui ainda a PEC da Segurança Pública, o Marco Legal da Inteligência Artificial, mudanças no regime do MEI e propostas relacionadas à desoneração da folha. Além disso, parlamentares precisarão votar a LDO de 2027, analisar 32 medidas provisórias e enfrentar dezenas de vetos presidenciais.
Nesse cenário, a reaproximação entre Lula e Alcolumbre pode facilitar a negociação de uma agenda que combina interesses do governo, demandas econômicas e projetos de forte repercussão social.