
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem ampliado, nas últimas semanas, sua interlocução com os principais líderes do Congresso Nacional, após um período marcado por tensões e avanços intermitentes na relação com o Legislativo. O movimento ocorre em meio à disputa presidencial e à reorganização de forças no Centrão, que tem adotado posições de neutralidade e distanciamento do candidato do PL, Flávio Bolsonaro.
Nas duas últimas semanas, Lula se reuniu três vezes com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recebeu apoio público do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e observou gestos de dirigentes do PP, como Ciro Nogueira e Arthur Lira, que atuaram para impedir que o partido indicasse a vice na chapa de Flávio. A federação União-PP e o Republicanos declararam neutralidade nacional, inclusive em estados estratégicos como Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A avaliação entre caciques partidários é que Lula, líder nas pesquisas, tem maiores chances de vitória, e que a aproximação com o petista pode garantir espaço no comando do Congresso em 2027. O caso Dark Horse, revelado pelo The Intercept, envolvendo pedido de recursos de Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, acentuou o desconforto de líderes do Centrão com o candidato do PL.
Ciro Nogueira, que já foi alvo de operação da Polícia Federal relacionada a Vorcaro, tem evitado associação direta à campanha de Flávio. Arthur Lira, por sua vez, articulou a neutralidade da federação União-PP e atuou para barrar a indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice do candidato do PL. Embora aliado do PL em Alagoas, Lira mantém canais abertos com o governo Lula.
No Senado, Alcolumbre enfrenta resistência do PL, que planeja lançar candidato próprio ao comando da Casa caso conquiste a maior bancada. O presidente do Senado busca apoio de Lula para se reeleger e tem atuado para destravar pautas de interesse do governo, como a PEC do fim da escala 6×1, a PEC da Segurança e o projeto sobre minerais críticos. Apesar de não declarar voto no petista, Alcolumbre firmou alianças com o PT no Amapá e facilitou acordos locais em Minas e Rio.
Na Câmara, Hugo Motta declarou apoio explícito a Lula e trabalha para garantir sua permanência na presidência da Casa em 2027. Ele articulou a neutralidade do Republicanos, contrariando expectativas de Flávio Bolsonaro. Motta também busca eleger seu pai ao Senado e conta com a popularidade de Lula na Paraíba para fortalecer seu grupo político.
A aproximação entre Lula e líderes do Centrão ganhou novo impulso após declarações do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que afirmou a empresários que Flávio “não tem a menor chance” e que o Centrão está com Lula. A campanha do PL minimiza os movimentos e afirma que, em caso de vitória, os mesmos líderes tenderiam a se reaproximar de Flávio.