
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na terça-feira (10), durante o CEO Conference Brasil 2026 do BTG Pactual, em São Paulo, que o país está preparado para uma reformulação na estrutura de despesas públicas, especialmente na área assistencial. A proposta sugere a fusão de benefícios sociais existentes, em um modelo semelhante ao adotado em 2003 com a criação do Bolsa Família.
Segundo o ministro, estudos técnicos estão em andamento sobre o tema, embora a ideia ainda não tenha sido submetida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem se tornado um projeto oficial de governo. “Talvez nós estejamos numa situação que permita uma arquitetura nova do ponto de vista do dispêndio, sobretudo de natureza assistencial”, afirmou Haddad, citando as discussões sobre renda básica como exemplo dessa direção.
O ministro frisou que o objetivo não é reduzir gastos, mas torná-los mais eficientes, modernos e sustentáveis. Ele traçou um paralelo com a gestão de Lula em 2003, quando diversos programas sociais foram reorganizados e unificados, resultando no Bolsa Família, que ganhou reconhecimento internacional. Haddad ressaltou que o crescimento econômico também contribui para uma trajetória mais sustentável das despesas públicas e indicou que essa deve ser uma discussão para o governo que assumirá em 2027.
No evento, o ministro ainda defendeu o atual arcabouço fiscal, composto por meta de resultado primário, regra de gasto e cláusulas anticíclicas, classificando-o como uma arquitetura da qual não abriria mão. Sobre a recente emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional no mercado externo, Haddad destacou que as taxas alcançadas são equivalentes às de países com grau de investimento, afirmando que “o olhar externo sobre o Brasil tem sido muito melhor do que o olhar interno”.
Quanto à liquidação do Banco Master, o ministro reconheceu que a legislação atual não foi suficientemente robusta para evitar a fraude de R$ 12 bilhões descoberta após a posse do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Por isso, o governo discute uma reforma estrutural para evitar repetições do problema.
Haddad também destacou a reforma tributária como seu principal legado na Fazenda, prevendo que o Brasil passará de uma das piores posições no ranking tributário mundial para figurar entre as melhores, graças à digitalização e transparência do novo sistema.