Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo diante de resistências no Senado. A avaliação no Palácio do Planalto é de que recuar após o anúncio representaria um desgaste político significativo, especialmente em um momento de tensão institucional envolvendo o Judiciário.

Segundo relatos de interlocutores do governo à colunista do UOL Daniela Lima, Lula e Messias alinharam há semanas que a indicação seria levada adiante “até o fim”, independentemente do resultado. O próprio ministro da AGU teria afirmado ao presidente que encara a nomeação como uma missão, comprometendo-se a buscar apoio entre senadores de diferentes espectros políticos.

A estratégia do governo ganha fôlego com a percepção de que o ambiente no Senado se tornou mais favorável nas últimas semanas. Lula teria sido informado por aliados de que há maior disposição para analisar o nome de Messias sem resistências abertas. Um fator considerado crucial é a postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que, segundo apuração do jornalista Valdo Cruz, do G1, sinalizou não atuar contra a indicação, embora também não deva se engajar diretamente na articulação.

Nos bastidores, a ausência de oposição ativa por parte de Alcolumbre é vista como um elemento decisivo para viabilizar a aprovação. O governo entende que, sem um movimento contrário do comando da Casa, aumentam as chances de avanço na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável pela sabatina.

Messias deve intensificar nas próximas semanas o corpo a corpo com parlamentares, retomando reuniões com senadores, inclusive da oposição, que anteriormente resistiram a recebê-lo. A expectativa é que a sabatina ocorra entre o fim de abril e o início de maio.

A insistência do governo também reflete o contexto político mais amplo. Integrantes do Planalto avaliam que ceder na indicação poderia ser interpretado como fragilidade diante de pressões do Congresso, sobretudo em um cenário em que setores parlamentares discutem mudanças nas regras de nomeação para tribunais superiores.

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