
Apesar de o Brasil ter registrado recorde no rendimento médio da população em 2025, a desigualdade de renda voltou a aumentar no país após atingir, no ano anterior, o menor nível da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de Rendimento de Todas as Fontes, divulgada nesta sexta-feira (8).
Segundo o levantamento, o crescimento da renda ocorreu de maneira desigual entre as diferentes faixas da população. Enquanto os 10% mais pobres tiveram aumento de 3,1% nos rendimentos entre 2024 e 2025, os 10% mais ricos registraram alta de 8,7% no mesmo período — um avanço quase três vezes maior.
O movimento impactou diretamente o índice de Gini da renda domiciliar per capita, principal indicador utilizado para medir desigualdade social. O índice passou de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. Quanto mais próximo de 1, maior é a concentração de renda no país.
Embora o resultado mais recente indique aumento da desigualdade, os dados de longo prazo ainda mostram recuperação mais intensa da renda entre as camadas de menor poder aquisitivo. De 2019 a 2025, o rendimento dos 10% mais pobres acumulou crescimento de 78,7%, enquanto entre os 10% mais ricos a alta foi de 11,9%.
O levantamento também aponta que os 40% da população com menores rendimentos alcançaram, em 2025, o maior valor médio da série histórica. Na comparação com 2024, a renda desse grupo avançou 4,7%. Em relação a 2019, o crescimento acumulado foi de 37,6%.
Especialistas apontam que fatores como a expansão do mercado de trabalho, o aumento do número de empregos formais e os reajustes do salário mínimo contribuíram para elevar a renda das famílias mais pobres nos últimos anos. No entanto, o ritmo de crescimento desacelerou em 2025 diante do cenário de juros elevados.
As taxas de juros mais altas tendem a impactar de forma mais intensa as famílias de menor renda, que enfrentam maior custo de crédito e aumento do endividamento. Já as faixas de renda mais elevadas podem ser beneficiadas pelo maior retorno de aplicações financeiras, ampliando a diferença de ganhos entre os grupos sociais.